Combinações inusitadas e apresentações exclusivas impulsionam o mercado de flores na segunda data mais importante da floricultura nacional, responsável por cerca de 10% do volume anual de vendas no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), a expectativa para este ano é de crescimento de aproximadamente 8% nas vendas em relação ao mesmo período de 2025.
Entre as plantas em vasos, além das exóticas e sempre apreciadas orquídeas, flores coloridas e espécies com formato de coração, como os antúrios, estão entre as mais procuradas para a ocasião.
Segundo o economista Newton Marques, o mercado de flores no Dia dos Namorados representa uma atividade importante por carregar forte simbolismo romântico, independentemente do valor investido. Em muitos casos, os casais preferem receber flores a eletroeletrônicos, chocolates ou até mesmo jantares. Por isso, o setor recebe um impulso significativo durante a data comemorativa.
De acordo com Renato Opitz, diretor do Ibraflor, as flores de corte continuam sendo as protagonistas da data justamente pela possibilidade de inovação e personalização. Ainda assim, as flores em vasos conquistaram espaço importante no mercado, especialmente aquelas que se destacam pela delicadeza, pelas cores vibrantes e pelos formatos simbólicos, como o antúrio, que naturalmente lembra um coração.
“As flores possuem forte apelo emocional e permitem inúmeras composições criativas. O consumidor busca cada vez mais exclusividade e identidade nos presentes, e isso impulsiona o mercado de buquês personalizados e arranjos diferenciados”, explica.
Segundo o economista Cesar Bergo, o setor de floricultura é valioso por envolver não apenas as floriculturas, mas também supermercados, empresas de decoração e até produtores de flores artesanais e ornamentais.
“Em termos comerciais, isso favorece não apenas as empresas e os estabelecimentos comerciais, mas também os trabalhadores autônomos e as feiras. Trata-se de um setor muito importante, sobretudo em datas comemorativas, porque contribui não apenas para a economia, mas também para a felicidade das pessoas”, destaca.
Mais do que um presente tradicional, as flores ganham novos significados a partir da criatividade aplicada aos arranjos e buquês personalizados. A combinação de espécies, cores e texturas, aliada às técnicas da arte floral, tem transformado as flores de corte em experiências afetivas exclusivas, ampliando o valor agregado dos produtos e atraindo consumidores em busca de presentes mais personalizados.
As preferidas
De acordo com o Ibraflor, entre as flores de corte mais procuradas para o período estão as tradicionais rosas vermelhas, símbolo clássico da paixão, além de lisianthus, alstroemérias, lírios, tulipas, gérberas, girassóis e orquídeas de corte.
A tendência, porém, vai além das flores isoladas e aposta em composições criativas e sofisticadas. Os arranjos ultrapassam o clássico formado por rosas vermelhas e gypsophila (mosquitinho).
Ganham espaço os buquês que combinam rosas, lisianthus e alstroemérias, criando composições românticas e sofisticadas. Também se destacam os girassóis e as flores do campo, vistos como opções mais leves, alegres e descontraídas. Outra tendência crescente entre os consumidores são as combinações em tons pastel, com flores brancas, rosadas e lilases.
Entre as plantas em vasos que têm se destacado como alternativas afetivas para presentear na data estão as orquídeas, os antúrios, as violetas, os lírios-da-paz, as kalanchoes floridas e as mini roseiras, espécies que simbolizam durabilidade, cuidado e fortalecimento das relações.
Perfil de consumo no Dia dos Namorados
De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), os esposos e esposas aparecem em primeiro lugar no ranking dos principais presenteados, com 58%, enquanto 33% pretendem presentear os namorados e namoradas.
Entre os motivos para presentear, os entrevistados destacaram o hábito de demonstrar carinho às pessoas de quem gostam (42%) e o reconhecimento da data como uma ocasião importante (46%).
Já entre os 28% que não pretendem comprar presentes, 63% justificam a decisão pela ausência de um relacionamento. No entanto, fatores econômicos também influenciam parte desse grupo: 10% afirmam que vão priorizar o pagamento de dívidas e 9% dizem não ter o hábito de celebrar a data.
O valor médio investido nos presentes será de R$ 264, chegando a R$ 295 entre consumidores das classes A e B. O volume médio previsto é de 1,5 presente por comprador.
A pesquisa mostra ainda uma expectativa de reciprocidade, já que 74% dos consumidores que pretendem presentear acreditam que também receberão presentes.

