O Brasil pode deixar de ganhar até US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) por ano se a União Europeia manter o país na lista de países não autorizados a exportar carnes para o bloco.
Além de carnes, outros produtos de origem animal destinados ao consumo humano também estão suspensos. A medida está prevista para entrar em vigor no dia 3 de setembro.
O Brasil é um dos maiores exportadores do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu. Estão bloqueados para exportação as carnes de bois, cavalos, aves e peixes além de ovos e mel.
A UE justifica que o Brasil não mostrou as garantias suficientes sobre a utilização de antimicrobianos na criação de animais. Segundo a decisão, a falta dessa regra sanitária estaria fora dos padrões adotados e necessários para o consumo na UE.
Ainda assim, é possível que o Brasil retorne a essa lista durante a próxima votação — sem data definida — desde que apresente as garantias necessárias.
Brasil pode perder até US$ 2 bilhões em exportações
Em abril, o país registrou recorde nas vendas do agronegócio. Ainda assim, a China permaneceu na liderança do principal destino dos produtos, com compras de US$ 6,6 bilhões em abril e participação próxima de 40% na pauta exportadora do setor. Por sua vez, a UE representou a segunda região que mais comprou produtos brasileiros, representando 14% da exportação no período.
Em 2025, o país exportou US$ 1,048 bilhão em carne bovina à Europa. O destino foi o terceiro maior mercado que comprou carnes brasileiras naquele ano.
Por sua vez, foram US$ 762 milhões em vendas de carne de frango neste período, enquanto as de mel somaram US$ 6 milhões. Nesse cenário, o Brasil pode perder quase US$ 2 bilhões se essas restrições seguirem valendo.
Disputa mais diplomática do que comercial
Tiago Velloso, economista formado pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), disse a esta reportagem de O Brasilianista que esse é um problema relevante, mas administrável, sobretudo porque o Brasil tem escala, competitividade e mercados mais importantes na sua pauta.
“O ponto central é menos dependência comercial e mais reputação, custo regulatório e desgaste diplomático”, afirma o especialista.
A leitura é de que a decisão da UE incomoda, mas não impacta de forma considerável o agro brasileiro. Segundo o especialista, “não dá para tratar como se a Europa fosse o centro da demanda da carne brasileira”.
“É um mercado relevante, claro, principalmente em proteína animal de maior valor agregado, mas nossa dependência é pequena quando olhamos o tamanho e a diversificação da pauta exportadora. O Brasil hoje tem parceiros mais importantes, e a China continua muito mais relevante para o agro brasileiro do que a Europa. Em 2024, a China comprou US$ 49,7 bilhões do agro brasileiro, enquanto a União Europeia ficou em US$ 23,2 bilhões no agregado do setor”, reitera.
Impacto no agro pode vir da China
Um fator que realmente pode trazer prejuízos significativos para o agro brasileiro é uma nova definição presente no Plano Quinquenal da República Popular da China, de 2026 a 2030.
O parceiro comercial do Brasil foi responsável por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
A intenção do plano é implementar novas tecnologias para produção agrícola no país, reduzindo a importação e buscando garantir a autossuficiência nacional, conforme divulgação do projeto. Especialistas contaram à O Brasilianista como o país pode se resguardar da medida.

