O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido do deputado federal Rodrigo Rollemberg para obrigar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes do Banco Master. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (12).
O deputado apresentou o pedido de abertura da CPI do Master em 2 de fevereiro de 2026, com 201 assinaturas. Segundo o parlamentar, Motta ignora o fato de todos os requisitos constitucionais — apoio de um terço dos membros da Casa, objeto determinado da investigação e prazo certo — terem sido preenchidos.
Na decisão, Zanin afirmou que o pedido feito por Rollemberg não demonstrou qual direito dele e dos outros deputados está sendo descumprido. Apesar de negar o seguimento, o relator determinou a ciência da decisão à Presidência da Câmara para as providências cabíveis conforme o regimento interno.
Caso Master

As investigações sobre o Caso Master revelam um complexo esquema de irregularidades financeiras e políticas envolvendo o banco de Daniel Vorcaro, o Banco Regional de Brasília (BRB), empresas de fachada e fundos previdenciários de servidores públicos municipais e estaduais.
A Polícia Federal (PF) aponta ligações entre a gestora Reag, o BRB e o escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Esse cenário serviu de justificativa para que o PL abandonasse o governador do DF, fragmentando a base aliada em meio às denúncias de corrupção.
No centro da estrutura financeira está Vorcaro, que foi preso novamente pela PF sob a acusação de liderar operações fraudulentas e um grupo chamado de “A Turma”, focado em espionar e intimidar desafetos.
As investigações indicam que Vorcaro usava a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para concretizar negócios de alto risco, deixando rombos financeiros em fundos de pensão e instituições financeiras devido a ativos podres.
O alcance do caso também atinge figuras políticas de relevância nacional. Documentos indicam que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões em pagamentos por consultorias ao banco. O custo político do Banco Master tem se mostrado elevado, pressionando o Legislativo e o Judiciário.
No Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso tramita, o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, reuniu-se com o ministro André Mendonça, relator da investigação, para discutir as apurações.
Ainda no STF, Alexandre de Moraes negou ter recebido mensagens enviadas por Vorcaro, após tentativas do empresário em contatá-lo, e Dias Toffoli se declarou suspeito para analisar a ação, após muita pressão por sua saída do processo.

