Uma operação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios investiga um suposto esquema que pode ter causado prejuízo de quase R$ 50 milhões aos cofres públicos por meio de um contrato de aluguel ligado à Secretaria de Educação do Distrito Federal. A ação ocorreu na manhã de quinta-feira e tem como um dos alvos o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo de Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa.
O caso ganhou repercussão após o governador ser questionado sobre a investigação. Ele afirmou que não tem qualquer relação com o episódio e destacou que as apurações ainda tramitam sob sigilo. Segundo o G1, Ibaneis Rocha declarou que não possui informações detalhadas sobre o conteúdo da operação e afirmou que não está entre os citados no processo.
“Pelo que eu sei essa operação corre em sigilo. Eu não tenho informações do que aconteceu, e também se eles que estão envolvidos quiserem apresentar para mim alguma coisa, mas não tem interesse nenhum, não cita meu nome. Eu não tenho nada a ver com isso. Cada um que tem seus problemas que responda perante a Justiça”, disse o governador.
As investigações envolvem suspeitas de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Operação mira gabinete de deputado e órgãos do governo
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes locais ligados aos investigados. Agentes estiveram na sede da Secretaria de Educação do DF, no Palácio do Buriti, que abriga o governo distrital, na Câmara Legislativa e em endereços vinculados ao deputado Hermeto.
Ao todo, 31 ordens judiciais foram executadas no Distrito Federal e também em São Paulo, Goiás e Tocantins.
De acordo com a CNN Brasil, as autoridades também cumpriram mandados na residência de um empresário paulista que seria proprietário do imóvel envolvido no contrato investigado.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, com apoio da Polícia Civil e de unidades do Ministério Público de outros estados.
Contrato de aluguel é o centro da investigação
No centro do caso está a locação de um imóvel privado localizado no Setor de Motéis da Candangolândia, em Brasília. O espaço teria sido alugado para receber alunos do Centro de Ensino Fundamental 01 da região e também para abrigar a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.
As investigações indicam que a contratação pode ter ocorrido de forma irregular, o que teria permitido o desvio de quase R$ 50 milhões. Parte significativa dos recursos envolvidos teria origem em emendas parlamentares.
Relatórios da Polícia Civil apontam que o deputado Hermeto teria atuado diretamente para direcionar recursos públicos ao local. Segundo os investigadores, ele teria intermediado contato com o então secretário de Educação João Pedro Ferraz dos Passos para garantir a assinatura do contrato.
Documentos analisados pelo Ministério Público indicam ainda que o parlamentar teria exercido influência para que o processo administrativo avançasse mesmo diante de possíveis irregularidades, conforme o UOL Notícias.
Outra informação apontada na apuração é que o imóvel público originalmente utilizado pela escola teria sido considerado inadequado para funcionamento, justificando a mudança para o prédio alugado. No entanto, investigadores afirmam que não houve laudo técnico comprovando essa necessidade.
Investigação aponta gastos elevados com aluguel
As autoridades também destacam que os gastos com o aluguel do espaço já ultrapassariam R$ 19 milhões ao longo dos anos. Mesmo assim, o prédio público que anteriormente abrigava a escola permanece de pé e estaria atualmente em processo de reforma.
Segundo os investigadores, um novo contrato firmado em 2025 prevê cerca de R$ 12 milhões para a recuperação da estrutura original. Para o Ministério Público, os valores levantam suspeitas de desperdício ou direcionamento indevido de recursos.
Além do deputado e do empresário paulista, servidores da Secretaria de Educação e o ex-secretário João Pedro Ferraz também são citados nas investigações.
Defesas negam irregularidades
Em nota oficial, o deputado Hermeto afirmou não ter qualquer participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação. Ele também ressaltou que os recursos indicados por seu mandato foram utilizados para melhorias em escolas públicas do Distrito Federal.
“Não possuo qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação, que são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo. Os recursos destinados por meu mandato ao PDAF ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal. É importante destacar que o PDAF não pode ser utilizado para pagamento de aluguel, portanto nenhum centavo desses recursos foi destinado a essa finalidade. Confio nas instituições e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos.”
A atual secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, também afirmou que o contrato investigado foi firmado antes de sua gestão. Ela declarou que aguarda acesso oficial ao processo para entender os detalhes da investigação.
Segundo a secretaria, o imóvel foi alugado em 2020 para garantir a continuidade das aulas enquanto a escola original enfrentava problemas estruturais. A pasta afirma ainda que colabora com os órgãos de controle e investigação para esclarecer os fatos.

