O Banco Central (BC) determinou nesta terça-feira (17) a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo, encerrando a operação da última instituição ainda ativa dentro do conglomerado financeiro.
A medida foi adotada após o fim do regime especial que tentava preservar parte das atividades do grupo, mas que não resultou em continuidade operacional.
Com a decisão, a autoridade monetária conclui mais uma etapa no processo de desmonte do Master, ampliando os efeitos sobre investidores e o mercado. As informações são do Banco Central do Brasil.
Banco Central encerra regime especial
O Banco Master Múltiplo estava sob um regime temporário de intervenção criado para tentar reorganizar suas operações.
Esse modelo permitia supervisão direta da autoridade monetária enquanto se buscavam alternativas para manter o funcionamento da estrutura.
No entanto, a estratégia perdeu sentido após a liquidação de sua principal controlada, a Will Financeira. Com isso, o Banco Central concluiu que não havia mais viabilidade econômica para manter a instituição ativa. A liquidação extrajudicial passa a conduzir o processo de encerramento formal das atividades.
Conglomerado Master já havia sido desmontado em etapas anteriores
De acordo com o Jornal de Brasília, o grupo financeiro vinha sendo desestruturado desde o ano passado, quando diversas empresas foram liquidadas.
Entre elas estavam o banco principal, instituições de investimento e uma corretora de câmbio. Naquele momento, o conglomerado representava cerca de 0,57% dos ativos do sistema financeiro nacional.
Apesar da dimensão relativamente pequena, o caso ganhou relevância pela quantidade de investidores envolvidos.
A única empresa inicialmente preservada foi a operação digital ligada ao grupo, que também acabou sendo encerrada posteriormente.
Fundo garantidor enfrenta um dos maiores desafios da história
Como apurado pelo O Brasilianista, a sequência de liquidações colocou pressão significativa sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Estimativas indicam que os pagamentos aos clientes podem alcançar até R$ 49 bilhões, considerando todo o grupo.
Esse valor coloca o episódio entre os mais relevantes já enfrentados pelo sistema de proteção financeira. O fundo atua como uma espécie de seguro para investidores, cobrindo aplicações dentro de limites definidos.
No entanto, a concentração de instituições ligadas ao mesmo conglomerado pode afetar o valor efetivamente recebido por parte dos clientes.
O que muda para investidores e clientes do banco
Com a liquidação, os ativos da instituição passam a ser administrados por um liquidante indicado pelo Banco Central.
Esse profissional será responsável por organizar os pagamentos, avaliar passivos e conduzir o encerramento das operações.
Investidores que possuem aplicações elegíveis devem aguardar o processo de ressarcimento conforme as regras do FGC.
Há limites de cobertura por CPF ou CNPJ, o que pode impactar quem tinha recursos distribuídos em mais de uma empresa do grupo. Além disso, os prazos para pagamento dependem da consolidação das informações financeiras.
Efeitos no mercado e no ambiente de negócios
A liquidação do último banco do conglomerado reforça o impacto sistêmico do caso, mesmo com participação relativamente pequena no setor.
Para investidores, o episódio aumenta a atenção sobre risco de crédito e diversificação de aplicações. Empresários que dependem de financiamento bancário podem enfrentar maior rigor na concessão de crédito.
Instituições financeiras tendem a revisar critérios de governança e controle após episódios desse tipo. Microempreendedores, por sua vez, podem sentir efeitos indiretos, como maior seletividade no acesso a capital.
Lista de empresas liquidadas
Instituições do conglomerado Master:
- Banco Master S.A.
- Banco Master de Investimento S.A.
- Banco Letsbank S.A. (atual Banco Bluebank S.A.)
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários
- Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento (Will Bank)
- Banco Master Múltiplo S.A.

