O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode impactar diretamente os preços de produtos importados da Europa, incluindo o chocolate. Caso a tramitação avance, a Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, poderá acionar a vigência provisória do tratado, criando a maior zona de livre-comércio do mundo, mesmo sem a conclusão do trâmite no Parlamento Europeu.
O Uruguai, Argentina e Brasil já ratificaram o documento. Durante a vigência provisória, haverá início de redução gradual de tarifas sobre produtos europeus, como queijos, vinhos e champanhes, ao longo de períodos que variam de oito a quinze anos, de acordo com a Veja.
O chocolate, no entanto, deve seguir um ritmo mais lento de adaptação. Segundo o Infomoney, atualmente a sobremesa é taxada entre 18% e 20%, chocolate, chocolate branco e achocolatados terão um período de transição de quinze anos até que o livre mercado entre em vigor para esses produtos da União Europeia no Mercosul.
Outros itens europeus, como leite em pó, manteiga e alho, também terão suas tarifas gradualmente reduzidas, enquanto produtos brasileiros receberão alívio imediato em algumas cotas na União Europeia, incluindo açúcar, arroz, carne de aves e cachaça.
Como O Brasilianista já detalhou aqui, por exemplo, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia prevê a redução gradual das tarifas de importação sobre vinhos europeus, cerca de 27%, ao longo de oito anos, e de espumantes em até 12 anos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O objetivo é tornar os produtos mais acessíveis ao consumidor brasileiro, enquanto salvaguardas comerciais protegerão setores estratégicos caso haja aumento súbito de importações. Com a eliminação das tarifas, vinhos italianos e de outros países europeus devem se tornar mais competitivos frente aos rótulos do Chile e da Argentina, que já entram no Brasil sem impostos.
Importadoras projetam queda de 10% a 20% nos preços finais e diversificação do portfólio ao fim do período de transição.
Exportações de cacau disparam 86% em cinco anos
Entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados deram um salto de 86,1% em mercados selecionados. O faturamento atingiu a marca de US$ 1 bilhão, segundo dados da ApexBrasil obtidos com exclusividade pelo InfoMoney. Para Igor Gomes, coordenador de Acesso a Mercado da agência, esse avanço se deve à melhoria na qualidade do produto nacional e às vantagens comerciais, especialmente dentro do Mercosul.
No volume de vendas, o chocolate recheado foi o grande destaque, com uma alta impressionante de 340%. Logo atrás vieram o cacau em pó sem açúcar (254%) e as preparações com até 40% de cacau (130%). Já quando o assunto é dinheiro no bolso, a manteiga e o óleo de cacau lideraram o ranking, somando US$ 452,8 milhões.
Parte desse crescimento nas receitas também acompanha a valorização do cacau no mercado internacional. O preço da tonelada, que girava entre US$ 2 mil e US$ 3 mil em 2022, chegou a atingir picos de US$ 12,5 mil em 2024 na Bolsa de Nova York. Apesar dessa alta nos preços, Gomes destaca que o crescimento das exportações é estrutural, reflexo de uma produção nacional mais competitiva e resiliente.
O acordo do Mercosul pode mudar o cenário atual, como explica, Igor Gomes, da ApexBrasil. Para ele, o acordo facilita a vida das empresas brasileiras, reduzindo impostos e burocracia para vender aos países vizinhos. Isso garante uma vantagem competitiva importante, principalmente em momentos em que outros produtores globais enfrentam quebras de safra ou queda na produção.

