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Economia

Saiba se perfumes podem ficar mais caros após acordo UE-Mercosul

Redução de tarifas de importação podem impactar preços no setor de perfumaria

Saiba se perfumes podem ficar mais caros após acordo UE-Mercosul

O mercado brasileiro de perfumes pode ser impactado pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que está na fase final de ratificação. A redução gradual das tarifas de importação sobre produtos manufaturados europeus, que atualmente chegam a 18% para perfumes, deve ocorrer ao longo de quatro anos, podendo tornar esses produtos mais acessíveis ao consumidor.

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De acordo com O Liberal, em Belém, importadores e varejistas esperam que a medida amplie o acesso a marcas europeias e aumente a variedade de produtos disponíveis. Marta Gómez, gerente comercial de uma loja especializada em importados, afirma que a diminuição de impostos permitirá trabalhar com mais marcas e oferecer produtos mais acessíveis, ressaltando que qualquer redução tarifária influencia toda a cadeia de custos, desde o transporte até o armazenamento.

Mesmo com o otimismo do setor, especialistas apontam que a redução das tarifas não será totalmente repassada ao consumidor final. O economista e doutor em Relações Internacionais, Mário Tito, explica que fatores como ICMS, logística na região amazônica e a concentração do varejo afetam os preços.

Ele acrescenta que, embora a retirada do imposto reduza o preço de vinhos, azeites, chocolates e perfumes, produtos de alto valor agregado continuam atrelados à capacidade de pagamento das classes mais elevadas.

O mercado em 2025

O mercado de perfumes no Brasil já apresenta forte expansão. De acordo com a Kantar, nos 12 meses encerrados em julho, houve aumento de 17% nas unidades vendidas e faturamento de aproximadamente R$18 bilhões, alta de 15%. A perfumaria feminina está presente em 57% dos lares, a masculina em 34%, e a infantil em 13%. O Nordeste lidera o consumo, com 45% do volume total, e as classes D e E representam 27% do consumo.

As vendas online ganham destaque, com crescimento de 15% no faturamento, impulsionadas por WhatsApp (+51%), e-commerce (+16%) e aplicativos (+6%). O setor também investe em inovação, com fragrâncias sem gênero, embalagens criativas e experiências personalizadas, buscando conquistar novos públicos e transformar cada perfume em uma experiência única.

Mudanças do setor em São Paulo

O mercado de perfumes em São Paulo passará por alterações na forma de calcular o ICMS, o imposto sobre vendas, para produtos de perfumaria como extratos de perfumes e águas-de-colônia. Segundo o Governo do Estado de São Paulo, a Portaria CAT 68/19, de 13 de dezembro de 2019, foi alterada, e a Portaria SRE 48/25, de 26 de agosto de 2025, foi revogada, impactando diretamente o estoque e a tributação desses produtos.

A partir de abril, as antigas regras de retenção antecipada do ICMS para perfumes deixam de valer. Isso significa que o regime anterior, em que o imposto era recolhido de forma antecipada sobre as mercadorias em estoque, será substituído pelas novas regras de cálculo.

Desde setembro de 2025, a base de cálculo do ICMS para vendas subsequentes de perfumes será o preço praticado pelo vendedor, incluindo frete, seguro, outros impostos e encargos, acrescido do valor calculado pelo Índice de Valor Adicionado Setorial (IVA-ST). Em situações especiais, como vendas entre empresas interdependentes ou quando não há esse índice definido, será aplicado percentual de 177,19%.

Segundo o Anexo Único da portaria, perfumes extratos terão IVA-ST de 70,72%, e águas-de-colônia, 86,22%. Para produtos vindos de outros estados, haverá o “IVA-ST ajustado”, garantindo uniformidade na cobrança do imposto em todo o território paulista.

A partir de junho de 2028, o cálculo seguirá regras semelhantes, mas com base em pesquisas de preço feitas por institutos de mercado reconhecidos. Caso essas pesquisas não sejam entregues dentro do prazo, a Secretaria da Fazenda poderá divulgar o IVA-ST que deverá ser aplicado.

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