A possibilidade de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros ganhou força nos últimos dias e pode impactar diretamente o abastecimento e a economia do país. A decisão final depende de assembleias realizadas por entidades da categoria, mas já há indicativos de adesão em diferentes estados.
Segundo a BBC News Brasil, lideranças afirmam que o movimento atual é resultado direto da alta no preço do diesel, que tem pressionado os custos da atividade. O combustível registrou aumento significativo desde o fim de fevereiro, influenciado por tensões internacionais envolvendo Estados Unidos e Irã.
O cenário reacende preocupações semelhantes às de 2018, quando uma greve de dez dias afetou diversos setores, provocando desabastecimento e prejuízos bilionários. Desta vez, o governo tenta agir com antecedência para evitar que a mobilização alcance a mesma dimensão.
A principal reivindicação dos caminhoneiros está ligada à dificuldade de manter a operação diante do aumento constante dos custos, especialmente com combustível.
Por que a categoria ameaça parar?
A alta do diesel é o principal fator por trás da mobilização. Representantes afirmam que o reajuste tem reduzido a margem de lucro e, em alguns casos, tornado inviável o trabalho.
“Com esses altos preços de combustíveis, a categoria está pagando para trabalhar e não fecha a operação”, diz Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava).
Além do preço do combustível, os caminhoneiros também denunciam o descumprimento do piso mínimo do frete. Esse valor foi estabelecido após a greve de 2018 para garantir uma remuneração mínima, mas, segundo a categoria, nem sempre é respeitado pelas empresas.
Outro ponto levantado é o aumento frequente nas bombas, muitas vezes antes mesmo de reajustes oficiais. “Não temos mais possibilidade de trabalhar, é a mesma cena de 2018 — ‘vale a pena ver de novo'”, afirma Landim.
O que o governo tenta fazer para evitar a paralisação?
Diante da ameaça de greve, o Governo Federal anunciou uma série de medidas para conter a insatisfação da categoria. Entre elas estão a redução de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização do cumprimento do piso do frete.
Também foi proposta a desoneração de impostos sobre a importação do combustível, além da ampliação de punições para empresas que não respeitarem a tabela mínima.
Há ainda investigações em andamento sobre possíveis aumentos abusivos nos preços praticados em postos de combustíveis. A intenção é identificar irregularidades que possam estar agravando a situação.
Quem pode aderir ao movimento?
A categoria é composta por diversos grupos e entidades, o que torna a mobilização descentralizada. Ainda assim, sindicatos e associações de diferentes regiões já sinalizaram apoio à paralisação.
Entre eles estão representantes de estados do Sul e do Sudeste, além de lideranças que participaram de reuniões recentes para discutir a organização do movimento, conforme o Diário do Nordeste.
A decisão sobre uma paralisação nacional depende de consenso entre essas entidades. Até lá, a orientação em alguns locais é que os caminhoneiros suspendam atividades, mas evitem bloqueios em rodovias.
Impactos possíveis na economia
Especialistas apontam que o risco de uma paralisação existe e pode gerar efeitos negativos, ainda que em menor escala do que em 2018.
“O governo tenta reagir de alguma forma, coloca isenção, diminui o imposto, mas não é suficiente para impedir todo o impacto negativo do aumento do preço na economia nesse momento”, diz Sergio Vale, economista.
De acordo com a Gazeta do Povo, o transporte rodoviário é responsável por grande parte da circulação de mercadorias no país, o que amplia os efeitos de qualquer interrupção.
Em 2018, a paralisação afetou diretamente o crescimento econômico, além de causar falta de produtos e interrupções em serviços essenciais. Agora, com custos elevados e um cenário internacional instável, a possibilidade de novos impactos preocupa setores produtivos e autoridades.

