O novo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode impactar os preços de produtos importados no Brasil, incluindo itens de luxo, como roupas, joias, relógios e acessórios. A expectativa é de redução das tarifas aduaneiras e que isso ocorra de forma gradual, além de abrir espaço para que bens de alto valor agregado cheguem ao país a custos menores.
O Ministério das Relações Exteriores ressalta que o acordo estabelece a eliminação progressiva de impostos sobre a maior parte das mercadorias comercializadas entre os blocos, com cronogramas distintos para cada setor econômico.
Conforme divulgado por autoridades europeias, cerca de 95% dos produtos exportados pelos países do Mercosul terão suas tarifas zeradas ao longo de até 12 anos, dependendo do tipo de mercadoria. Do lado brasileiro, a redução abrangerá aproximadamente 91% das importações provenientes da União Europeia, em prazos que podem chegar a 15 anos.
O acordo também deve reduzir preços ao consumidor em 0,56% e aumentar as importações em 2,46% até 2044, além de auxiliar na modernização da indústria brasileira com intuito de abrir espaço para que tecnologias e designs europeu cheguem ao país, o que é especialmente interessante para produtos de luxo e acessórios high-tech.
O mercado de luxo para quem consome
Empresas europeias de luxo, como LVMH, Kering, Hermès e Richemont, podem se beneficiar do acordo. O Seu Dinheiro ressalta que produtos com tarifas entre 8% e 12%, incluindo roupas, acessórios, joias e relógios, terão as taxas gradualmente eliminadas. Alguns bens manufaturados, que chegam a ser tributados em até 35%, também serão incluídos na redução.
Especialistas estimam que os exportadores europeus podem economizar até 4 bilhões de euros por ano, o que aumenta a competitividade dos produtos de luxo no mercado sul-americano.
Embora o consumo de bens de luxo na América do Sul seja menor do que nos Estados Unidos e na Ásia, a expansão da classe média alta nos países do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, representa um potencial de crescimento para o setor, segundo consultores do setor de varejo de luxo.
E o mercado automotivo de luxo?
Já o mercado automotivo de luxo é particularmente sensível a alterações tarifárias. Com a eliminação progressiva dos impostos, os consumidores brasileiros podem ter acesso a modelos importados com preços mais competitivos em relação aos atuais, embora outros fatores, como custo de produção e escala de fabricação, continuem a influenciar o preço final.
O tratado prevê cronogramas específicos: veículos elétricos e tecnologias automotivas de ponta podem ter tarifas zeradas em até 18 a 30 anos, enquanto outros produtos de luxo terão redução mais rápida. Isso sugere que produtos europeus de alto valor podem se tornar mais competitivos no Brasil.
O tratado deve ser sancionado nas próximas semanas e entrar em vigor em até 60 dias, consolidando um comércio bilateral que movimentou cerca de US$ 100 bilhões em 2025. Além de carros, a redução gradual de tarifas também beneficiará outros produtos de alto valor agregado.

