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Geopolítica

Como restrição de fertilizantes pela China pode impactar o Brasil?

Medida pode elevar custos de grãos e impactar, mesmo que indiretamente, o mercado do Brasil

Como restrição de fertilizantes pela China pode impactar o Brasil?

Medidas adotadas pela China para restringir a exportação de fertilizantes vêm sendo intensificadas nas últimas semanas, em um contexto de oferta global já pressionada por conflitos no Oriente Médio e interrupções logísticas. Segundo a Reuters, a iniciativa tem como objetivo preservar o abastecimento interno e conter oscilações de preços no mercado doméstico.

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As limitações atingem diferentes categorias de produtos, como fertilizantes nitrogenados, potássicos e determinados fosfatados, além de se somarem a controles já existentes sobre itens como a ureia. Estimativas indicam que as medidas podem alcançar entre metade e três quartos das exportações chinesas, o equivalente a dezenas de milhões de toneladas.

Na prática, poucos insumos permanecem liberados para venda externa, entre eles o sulfato de amônio. De acordo com relatos do setor citados pela Reuters, a expectativa é que essas restrições se mantenham ao menos até o fim do período de maior intensidade das exportações chinesas, que ocorre entre junho e agosto.

Mesmo sem anúncio formal detalhado, o endurecimento das regras ocorre em um momento de instabilidade no mercado global de fertilizantes. A China, um dos principais fornecedores mundiais, historicamente ajusta seus fluxos de exportação para manter preços internos estáveis, priorizando o mercado doméstico em períodos de escassez.

Pressão sobre preços

Cerca de um terço do transporte marítimo desses insumos passa pelo Estreito de Ormuz. Com as tensões militares aumentando no Irã, os riscos logísticos podem afetar o ritmo das exportações e a previsibilidade de entregas internacionais

Ou seja, mesmo que a China mantenha seus embarques, interrupções no estreito podem gerar atrasos significativos, impactando países que dependem das importações para sua produção agrícola.

A redução da oferta internacional tem sido acompanhada pela alta nos preços de insumos como a ureia, que já registram elevação significativa em relação aos níveis anteriores ao atual cenário de conflito, conforme dados mencionados pela Reuters.

Em países dependentes de importações, como o Brasil, alterações no fluxo de fertilizantes afetam diretamente os custos no campo e o planejamento das safras. De acordo com análise da Veja, mudanças nas exportações chinesas têm impacto direto sobre o abastecimento e a formação de preços agrícolas.

Dependência brasileira

O agronegócio brasileiro depende de forma significativa da importação de fertilizantes para sustentar a produtividade de culturas como soja, milho e café. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), compilados pela Argus e divulgados pela Agrolink, indicam que o Brasil importou cerca de 38,3 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025.

Desse total, aproximadamente 9,76 milhões de toneladas (25%) tiveram origem na China. No mesmo período do ano anterior, essa participação era de 18%, evidenciando o aumento da presença chinesa como fornecedora e a mudança na dinâmica de abastecimento.

Além disso, mais de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que demonstra a limitação da produção nacional, especialmente em insumos como nitrogenados e fosfatados.

Riscos geopolíticos

O cenário atual mostra como a China é um produtor relevante no fornecimento global de fertilizantes, mas o cenário se torna negativo quando há a exposição de países importadores às mudanças nas políticas de exportação.

Outros fornecedores internacionais, como Rússia, Canadá e países do Oriente Médio, também participam desse mercado.

Especialistas citados em análises do setor apontam que o Brasil discute a ampliação da produção interna de fertilizantes como forma de reduzir a dependência externa e fortalecer o abastecimento no longo prazo.

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