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Economia

Azeite pode ficar mais barato após início do acordo UE-Mercosul?

O óleo comercializado no Brasil é majoritariamente importado da Europa

Azeite pode ficar mais barato após início do acordo UE-Mercosul?

O Congresso Nacional promulgou na última terça-feira (17) o decreto legislativo que ratifica o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (PDL 41/26). Isso permite que os trechos admitidos no tratado comecem a valer de maneira temporária.

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A boa notícia para os consumidores é no valor do azeite, que deve abaixar significativamente. O óleo de azeite de oliva comercializado no Brasil é majoritariamente importado da Europa.

Hoje, esses produtos entram no país com uma tarifa de 10%, mas com o tratado o imposto diminuirá gradualmente até zerar esse tributo.

Apesar do ajuste nos preços não ser imediato — e o valor estar condicionado a outras questões como demanda, clima dos países de produção e possibilidade de importação —, esse pode ser um fator importante para o alívio no bolso dos consumidores brasileiros.

Azeite caro não é sinal de imposto alto

Conforme mostrado pelo O Brasilianista, o preço do azeite caiu 14,55% para o consumidor desde 2024 até outubro do passado. Os cálculos são do g1 com base nos resultados de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em meio a diversos motivos que causaram a queda do azeite em 2025, os especialistas ouvidos pelo g1 citam dois fatores principais além da isenção de impostos.

Ainda assim, o resultado da safra de azeitonas da Europa segue como principal indicador de como o valor do azeite deve chegar aos consumidores brasileiros. Veja os motivos:

Clima europeu

O primeiro fator é a mudança climática na região onde é colhida a matéria-prima do azeite: a Europa. No final de 2023, um calor e seca atípicos em Portugal e Espanha — de onde o Brasil importa mais de 90% do azeite — prejudicou a colheita de azeitonas. Dessa forma, os preços do óleo dispararam no mundo todo desde 2023 até o meio de 2024.

Já em 2025, o clima mais ameno ajudou as safras europeias, o que diminui o preço do azeite em boa parte. Ainda assim, marcas de origem suspeita ou fraudulenta marcaram presença no período de aumento dos valores.

Desvalorização do dólar

mercado de câmbio também foi importante para a redução dos valores do azeite. No início de 2025, por exemplo, o dólar estava cotado a R$ 6,20, mas ao final já operava em torno de R$ 5,45.

Vale lembrar que os azeites à venda no Brasil são quase totalmente importados, influenciados pela variação do dólar comercial.

Quais os próximos passos do acordo?

Faltam algumas etapas para o acordo entrar em vigor. Em 27 de fevereiro, a Comissão Europeia indicou que o bloco já possui aplicação provisória do acordo comercial, agora falta a comunicação de que os países do Mercosul também liberaram o texto.

O governo brasileiro estima que o texto entre em vigor em até 60 dias após a promulgação.

O Congresso brasileiro deve acompanhar a implementação do tratado. Como informado pelo O Brasilianista, um grupo de trabalho foi criado para monitorar a aplicação do acordo e avaliar seus efeitos sobre setores produtivos.

Esse acompanhamento pode resultar em ajustes regulatórios ou novas políticas industriais para apoiar empresas brasileiras.

Além disso, o tratado ainda enfrenta debates na Europa. O Parlamento Europeu enviou o acordo para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que avaliará sua compatibilidade jurídica. Vale lembrar que a aprovação inicial é temporária.

Entenda o que prevê o acordo Mercosul-UE

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos mais amplos tratados já negociados entre blocos econômicos.

Juntos, Mercosul e UE possuem cerca de 718 milhões de habitantes, com Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de cerca de U$S 22,4 trilhões. Esse cenário mostra que o acordo é um dos maiores do mundo em livre comércio.

De um lado estão BrasilArgentina, Paraguai e Uruguai e do outro os 27 países que integram a União Europeia. As negociações não são novas, mas existem há mais de 26 anos — e somente agora os grupos conseguiram avançar no acordo.

Ele não se limita à redução de tarifas de importação e exportação. O tratado também aborda áreas como:

  • comércio de serviços;
  • investimentos internacionais;
  • compras governamentais;
  • regras regulatórias;
  • cooperação econômica.

Para empresas brasileiras, especialmente exportadoras, o tratado pode ampliar oportunidades de acesso ao mercado europeu.

Setores ligados ao agronegócio, indústria de transformação e tecnologia acompanham a tramitação com atenção.

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