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Política

Boulos pode ir para o PT? Entenda o que leva a filiação e o que diz o ministro

Detalhes de carta interna podem revelar porque o político pode sair do PSOL, mas o ministro nega

Boulos pode ir para o PT? Entenda o que leva a filiação e o que diz o ministro

Nesta sexta-feira (20), a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, teve acesso a uma carta elaborada por dissidentes da corrente Revolução Solidária, grupo ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. No documento, os autores relatam que a coordenação nacional da corrente foi informada sobre a intenção do ministro de deixar o PSOL para se filiar ao PT.

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O texto indica que essa articulação vinha sendo desenhada desde o período entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2025. Nesse intervalo, também teriam ocorrido conversas relacionadas possivél filiação de sua esposa, Natália, pela legenda petista.

Ainda conforme a carta, houve interlocução com dirigentes do PT, incluindo uma reunião com o presidente estadual da sigla em São Paulo, Kiko Celeguin, realizada na Praia Grande.

Os dissidentes descrevem que a articulação atinge diferentes segmentos do partido e ressaltam que a eventual saída não seria simples, por envolver militantes e parlamentares com trajetória e base política consolidadas no PSOL, muitos deles sem ligação com o MTST.

Os signatários também relatam que haveria estímulo para que quadros da legenda acompanhem Boulos em uma eventual mudança partidária. No texto, há ainda um apelo para que militantes se afastem da corrente e permaneçam no PSOL.

Por que o PT?

De acordo com a carta, a saída exigiria a elaboração de uma justificativa política, citada como a necessidade de “construir uma narrativa”. Nesse contexto, a proposta de federação entre PSOL e PT é mencionada como elemento utilizado para provocar tensão interna e abrir espaço para o rompimento.

Boulos, por sua vez, tem discutido seus próximos passos políticos após a decisão do PSOL de não aderir à federação com o PT. Ele argumenta que a escolha do partido limitou a possibilidade de integração em uma articulação mais ampla no campo da esquerda.

A eventual filiação ao PT é tratada como uma hipótese que já circula há algum tempo e que voltou a ganhar força recentemente. Interlocutores avaliam que o partido teria maior capacidade de articulação política e eleitoral, enquanto o PSOL atuaria de forma mais complementar nesse cenário.

Na visão de dissidentes da Revolução Solidária, a movimentação também estaria ligada à tentativa de aproximação com o núcleo político associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro do PT, podendo ter maior o acesso a instâncias de decisão na legenda.

Há, ainda, relatos de conversas em andamento entre Boulos e dirigentes petistas. Essas tratativas não se restringiriam ao ministro e incluiriam outros nomes do PSOL, como a deputada federal Erika Hilton.

Boulos nega saída

Em declaração à Revista Fórum, Boulos afirmou que não tomou uma decisão sobre deixar o PSOL, mas confirmou que está avaliando seu projeto político após a recusa da federação com o PT. Segundo ele, o partido optou por não participar da articulação, o que, em sua avaliação, representa um movimento de isolamento no campo da esquerda.

O ministro também disse que a informação divulgada por O Globo teria sido “plantada” com a intenção de desgastá-lo politicamente. Dirigentes do PSOL ouvidos pela publicação apontam, no entanto, que há uma expectativa interna de que ele deixe a legenda antes do fim da janela partidária.

Além disso, a IstoÉ aponta que a possibilidade da deputada federal e presidente da Comissão da Mulher, Erika Hilton também migrar para o PT é mencionada por interlocutores envolvidos nas discussões.

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