Em meio ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã, o Brasil tenta conter a pressão sobre os preços dos combustíveis diante de um cenário de incertezas no mercado nacional. Análises indicam que, desde o início das tensões internacionais, há três semanas, o preço médio do diesel comum apresentou crescimento de 20,39%, reflexo das oscilações no mercado global.
De acordo com informações da CNN Money, os dados analisados a partir de informações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que na semana do dia 28 de fevereiro, dia em que houve o primeiro conflito, o preço médio do combustível custava R$ 6,03. Inclusive, nas semanas anteriores ao começo da guerra, o combustível se mantinha em um movimento de queda ou estabilidade.
Maior valor registrado no governo Lula
Sobre o preço atual, referente a esta semana, o boletim da ANP mostra que o valor do diesel comum aumentou para R$ 7,26, o que representa crescimento de R$ 1,23 para o bolso dos consumidores. Em relação ao diesel S10, também houve um crescimento parecido ao comum, registrando alta de cerca de 20,29%.
Ao considerar os dados mais recentes da ANP, o valor atual do diesel aparece como o mais alto já registrado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, liderando o ranking histórico de alta no período. Ainda segundo informações da CNN, o último registro de alta desse nível no diesel foi em agosto de 2022, quando o preço do combustível chegou a alcançar R$ 7,37.
Movimentações para conter a alta
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, o cenário de alta motivou o poder público a se movimentar em busca de soluções para conter o aumento nos preços. A preocupação maior surgiu após a mobilização do setor de transportes, que planeja uma greve dos caminhoneiros, em tentativa de não serem prejudicados.
Entre as medidas está o decreto assinado pelo presidente Lula que zera as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a importação e comercialização do diesel, bem como uma medida provisória que prevê subvenção ao diesel para produtores e importadores.
“As medidas são para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão, à salada do alface, da cebola e a comida que o povo mais come”, afirmou o chefe do Executivo.
O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) propõe também que estados zerem provisoriamente o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel. A medida será deliberada em reunião na próxima semana, em São Paulo.
De acordo com o cientista político e colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, a decisão de governadores sobre o corte pode não ser favorável, já que há reclamações sobre cortes realizados no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como reclamações em relação a distribuidores e postos não repassarem quedas de preços ao consumidor final.

