A decisão dos caminhoneiros de recuar de uma paralisação nacional aliviou o ambiente em Brasília, mas o problema está longe de ter sido resolvido. Para o presidente Lula (PT), o desafio agora é manter a categoria sob controle e impedir que a insatisfação avance a ponto de atingir diretamente o bolso do brasileiro. Quando isso acontece, o impacto costuma chegar às urnas.
O risco de se iniciar uma greve foi apenas adiado. A reunião em Santos (SP), que afastou temporariamente a paralisação do horizonte, veio acompanhada de exigências objetivas. Os caminhoneiros cobram o cumprimento do piso mínimo do frete e aguardam uma resposta efetiva da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a fiscalização dos preços cobrados nos postos. É nesse intervalo que o Palácio do Planalto precisa mostrar serviço.
Estratégia
Se o diesel continuar pressionando custos e isso se traduzir em preços mais altos para alimentos e serviços, o desgaste será inevitável. Por isso a reação foi tão rápida. O Planalto montou uma estratégia de contenção baseada em subsídios, redução de tributos e articulação com os estados para mexer no ICMS.
Nesse contexto, a proposta liderada pelo recém-empossado ministro da Fazenda, Dario Durigan, de um subsídio de até R$ 3 bilhões para reduzir o ICMS do diesel, dividindo a conta com os estados, mostra o tamanho da preocupação.
Ao pressionar governadores e defender maior fiscalização para conter abusos, o governo busca também repartir responsabilidades. Lula tenta evitar que o custo dessa crise recaia exclusivamente sobre sua gestão, movimento que ficou evidente ao criticar quem ele considera responsável por aumentos injustificados nos combustíveis. Externamente, os Estados Unidos que iniciaram a guerra e, internamente, empresários e donos de postos de gasolina.
Guerra
Ainda assim, o maior problema está fora do alcance do Planalto. O preço do petróleo permanece pressionado pela instabilidade no Oriente Médio, variável imprevisível que impede qualquer planejamento de longo prazo. Sem controle sobre esse fator, o governo trabalha com soluções temporárias para ganhar tempo, como a MP nº 1.344/26, que abre crédito no Orçamento de 2026 no valor de R$ 10 bilhões para subsidiar parte do preço do diesel.
Há ainda um elemento adicional de dificuldade: a relação da categoria com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Historicamente mais próxima do governo anterior, a base dos caminhoneiros exige de Lula um esforço maior de aproximação e de diálogo.

