Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados afirmam que o STF está “totalmente envolvido” no escândalo do Banco Master. Outros 10% apontam “muito envolvimento”, enquanto 12% veem alguma relação.
O levantamento mostra que apenas uma parcela menor rejeita qualquer ligação. Para 10%, não há envolvimento, enquanto 8% não souberam responder.
Além disso, 59,5% dos brasileiros afirmam que a maioria dos integrantes da Corte não demonstra competência e imparcialidade nos julgamentos.
Em contrapartida, 34,9% avaliam que os ministros atuam de forma adequada, enquanto 5,6% disseram não saber opinar. As informações são da AtlasIntel Bloomberg.
Comparação com outros poderes amplia leitura
A pesquisa também avaliou a visão sobre outras instituições. O Congresso Nacional aparece com 45% de percepção de “total envolvimento”, número próximo ao do STF.
O governo federal registra 43% nesse mesmo nível de avaliação. Já o Banco Central apresenta índices mais distribuídos, com menor concentração em respostas extremas.
28% dos brasileiros avaliam que o BC está totalmente envolvido no caso Banco Master, enquanto 16% apontam muito envolvimento e 21% veem alguma ligação com o escândalo.
Episódios recentes alimentam desconfiança
O avanço dessa percepção está diretamente ligado a revelações envolvendo ministros do STF. Como informou o Estadão, a advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, manteve contrato milionário com o banco investigado.
Ainda conforme a apuração, mensagens trocadas entre o banqueiro e Moraes no dia de uma prisão reforçaram questionamentos sobre proximidade institucional.
Outro episódio envolveu o ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria após surgir a informação de que empresa ligada a ele recebeu recursos associados ao banco. Posteriormente, ele se declarou impedido de atuar no caso.
Pressão política cresce no Congresso
A repercussão também se reflete no Legislativo. Atualmente, há dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF aguardando análise.
Somente neste ano foram protocoladas novas solicitações, com foco em integrantes diretamente citados nas investigações.
Papel ampliado do Judiciário entra em debate
O contexto atual se conecta a um movimento mais amplo. Nas últimas décadas, o Judiciário brasileiro ganhou protagonismo ao assumir decisões em temas políticos e sociais.
Segundo a ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Maria Claudia Bucchianeri, essa centralidade expõe a instituição a críticas mais intensas. A confiança no sistema de Justiça, segundo ela, é fator determinante para a estabilidade democrática.
Esse protagonismo, embora tenha ampliado o alcance de direitos, também elevou o grau de cobrança pública sobre o STF.
Confiança institucional afeta economia
A desconfiança não se limita ao campo político. Especialistas apontam impacto direto no ambiente econômico, especialmente na previsibilidade de decisões.
De acordo com participantes do II Congresso Ibero-Brasileiro de Governança Global em declarações ao O Brasilianista, a segurança jurídica é um dos principais fatores para atrair investimentos.
Empresas tendem a adiar decisões estratégicas quando há incerteza sobre posicionamentos do STF. Esse efeito se torna mais relevante em momentos de crise institucional.
Sobrecarga e exposição intensificam crise
Outro elemento que contribui para o cenário é o volume de processos no Judiciário. O grande número de ações pressiona magistrados e reduz o tempo disponível para análise detalhada.
Especialistas avaliam que essa sobrecarga aumenta a percepção de inconsistência e fragilidade. Para a população, isso se traduz em menor confiança nas decisões.
No caso do STF, essa pressão é ainda maior devido ao papel central da Corte como guardiã da Constituição.
Levantamentos apontam deterioração consistente da imagem do tribunal
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, a perda de confiança no Supremo Tribunal Federal (STF) não aparece como um dado isolado.
Segundo a AtlasIntel, cerca de 60% dos brasileiros dizem não confiar na Corte, indicando um patamar elevado de desconfiança institucional.

