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Geopolítica

O que sabemos até agora sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá?

Uma nova rodada de negociações já está agendada para abril em Brasília

O que sabemos até agora sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá?

Canadá e Mercosul — composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com possível entrada da Bolívia — avançam nas negociações de um acordo de livre comércio que pode ser assinado ainda este ano. As informações são da Reuters, divulgadas pela CNN.

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Uma nova rodada de negociações já está agendada para abril em Brasília. Fontes à par do assunto revelaram à agência de notícias que o acordo pode ser concluído em setembro ou outubro deste ano — uma velocidade considerada recorde.

Fonte do governo brasileiro alegou que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deve visitar o Brasil no próximo trimestre, o que pode impulsionar a conclusão do tratado.

Vale lembrar que essa não é uma negociação recente, visto que as primeiras conversas foram paralisadas em 2021. Agora, em meio às incertezas relacionadas ao tarifaço do governo dos Estados Unidos, o Canadá investe em diversificar seu comércio.

Como o Mercosul e Canadá se beneficiariam do acordo?

Ainda de acordo com a Reuters, o Mercosul ampliaria seu acesso a mercados desenvolvidos para o comércio exterior, especialmente o de carne bovina. Além disso, os países do bloco atrariam investimentos estrangeiros para setores como a indústria e mineração.

No início de março, autoridades comerciais de ‌Ontário, uma província central para a economia canadense, visitaram a Argentina e o Uruguai como parte dos esforços para estabelecer as bases para um futuro acordo e demonstrar apoio ao aumento do comércio bilateral.

O ministro do Desenvolvimento Econômico, Criação de Empregos e Comércio de Ontário, Victor Fedeli, disse em visita à América do Sul no último ano que Ontário estava intensificando o contato com os países do bloco, após afirmar que cerca de 80% do comércio da província canadense é realizada com os EUA.

“O governo canadense leva a sério a diversificação em relação aos EUA, trabalhando para abrir novas oportunidades ​de comércio, parceria e investimento”, disse à Reuters.

Vale lembrar que as negociações voltam pouco depois da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, um dos maiores acordos de livre comércio do mundo.

Acordo Mercosul-UE

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos mais amplos tratados já negociados entre blocos econômicos.

Juntos, Mercosul e UE possuem cerca de 718 milhões de habitantes, com Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de cerca de U$S 22,4 trilhões. Esse cenário mostra que o acordo é um dos maiores do mundo em livre comércio.

De um lado estão BrasilArgentina, Paraguai e Uruguai e do outro os 27 países que integram a União Europeia. As negociações não são novas, mas existem há mais de 26 anos — e somente agora os grupos conseguiram avançar no acordo.

Ele não se limita à redução de tarifas de importação e exportação. O tratado também aborda áreas como:

  • comércio de serviços;
  • investimentos internacionais;
  • compras governamentais;
  • regras regulatórias;
  • cooperação econômica.

Para empresas brasileiras, especialmente exportadoras, o tratado pode ampliar oportunidades de acesso ao mercado europeu.

Setores ligados ao agronegócio, indústria de transformação e tecnologia acompanham a tramitação com atenção.

Faltam algumas etapas para o acordo entrar em vigor. Em 27 de fevereiro, a Comissão Europeia indicou que o bloco já possui aplicação provisória do acordo comercial, agora falta a comunicação de que os países do Mercosul também liberaram o texto.

O governo brasileiro estima que o texto entre em vigor em até 60 dias após a promulgação.

O Congresso brasileiro deve acompanhar a implementação do tratado. Como informado pelo O Brasilianista, um grupo de trabalho foi criado para monitorar a aplicação do acordo e avaliar seus efeitos sobre setores produtivos.

Esse acompanhamento pode resultar em ajustes regulatórios ou novas políticas industriais para apoiar empresas brasileiras.

Além disso, o tratado ainda enfrenta debates na Europa. O Parlamento Europeu enviou o acordo para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que avaliará sua compatibilidade jurídica. Vale lembrar que a aprovação inicial é temporária.

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