O relatório final feito pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi rejeitado pela CPMI do INSS em votação realizada na madrugada deste sábado (28/03), com 19 votos contrários e 12 a favor. O documento pedia o indiciamento contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“. Além disso, também solicitava a prisão preventiva de Lulinha, de acordo com o UOL.
Após a votação, o senador e presidente da Comissão, Carlos Viana, encerrou a reunião e finalizou a CPMI do INSS sem nova análise e sem a apresentação de um relatório final. Os governistas ainda fizeram o pedido para um texto alternativo, cujo o mesmo recusou-se a submeter à apreciação. As informações são do InfoMoney.
Pedidos de indiciamento
O documento apontava uma rede de 41 empresas que teria movimentado pouco menos de R$ 40 bilhões em sete anos (entre 2018 e 2025), sendo usadas para lavagem de dinheiro e pagamento de propinas de esquemas diferentes.
No relatório, Gaspar também pediu o indiciamento de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e José Carlos Oliveira, chefe do ministério no governo Bolsonaro.
Versão alternativa
O governo mobilizou aliados, com o intuito de barrar o relatório. O senador Jacques Wagner (PT-BA) e o ministro da Agricultura Carlos Fávaro participaram da votação pegando voo às pressas e sendo exonerado para assumir a cadeira no senado, respectivamente.
A base do Palácio do Planalto foi de oposição a essa aprovação e apresentou uma versão alternativa, pedindo 170 indiciamentos, entre eles estava Jair Bolsonaro, furto qualificado contra idosos, organização criminosa, entre outros. Mas a versão não chegou a ser considerada pela comissão.
No relatório final, que tem 4.340 páginas e levou oito horas para ser lido, Gaspar ainda recomendou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), passassem por investigações de possíveis crimes envolvendo tráfico de influência, no caso das relações que ambos tinham com Vorcaro.
Votos contrários x favoráveis
Entre os que votaram contra o documento, estão Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Teresa Leitão (PT-PE) e Lindbergh Farias (PT-RJ). Já Eduardo Girão (Novo-CE), Damares Alves (Republicanos-DF), Izalci Lucas (PL-DF) e Magno Malta (PL-ES) foram alguns dos que deram votos favoráveis.
O que está em jogo
Como já publicado aqui pelo O Brasilianista, a leitura do documento ocorreu em um cenário alterado pela decisão do Supremo Tribunal Federal de impedir a prorrogação dos trabalhos. É apresentado sob impacto direto dessa mudança, que não apenas termina a comissão como redefine o caminho das investigações e desloca o foco político para o Judiciário.
Foram meses de coleta de depoimentos, documentos e análises técnicas para a escrita do texto final. De acordo com Gaspar, o conteúdo sugere encaminhamentos para órgãos de controle e aponta as responsabilidades individuais. Além disso, também serve para futuras investigações em outras instâncias.
A leitura do relatório não apresenta, de certa forma, um final definitivo, mas o começo de outra etapa. Este conteúdo presente em quase cinco mil páginas tem o poder de orientar ações futuras, podendo servir até mesmo fora do Congresso.
Ainda de acordo com interlocutores do Legislativo, todo esse processo depende das investigações paralelas em andamento e do encaminhamento das recomendações.

