A Força Aérea Brasileira (FAB) possui uma frota total de oito aeronaves Embraer KC-390 Millennium, recebidos desde 2019. Porém, devido a um aperto financeiro e pela falta de recursos econômicos, estima-se que apenas duas aeronaves estão em estado operacional. Os jatinhos, geralmente usados em atividades, também são atingidos pela escassez.
Aeronaves operacionais: FAB 2858 e FAB 2860.
Aeronaves em revisão e/ou manutenção: FAB 2853, FAB 2854, FAB 2855, FAB 2856, FAB 2857 e FAB 2859.
As informações são da Revista Força Aérea.
Problema antigo
Mesmo que impactante, esse problema é antigo. Conforme noticiado pela Veja e pelo Acesse Política, em outubro de 2025, cerca de 65% das aeronaves da FAB estavam sem condições de operar, por falta de orçamento na manutenção da operação.
José Múcio Monteiro Filho, ministro da Defesa do Brasil, revelou o estado deplorável da FAB na época, durante audiência no Senado Federal. Um dado que chamou a atenção foi que a porcentagem de aeronaves que estavam sem voar pela falta de dinheiro era superior a metade.
“A situação é crítica. Há aviões parados, bases sem recursos e missões sendo suspensas”, disse o ministro.
Falhas apresentadas
Na mesma semana, em 2025, um dos aviões apresentou uma falha técnica antes mesmo de decolar, tendo que ser feita a troca de aeronaves para maior segurança.
O avião levaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua comitiva para a Ilha de Marajó, no Pará. O presidente revelou uma falha no motor e um momento de susto que poderia ser pior diante da situação.
“Eu fui pegar o avião para a Ilha do Marajó e teve um problema no motor do avião, um avião Casa da Força Aérea Brasileira (FAB). Eu só tinha que agradecer a Deus porque poderia ter tido um problema quando eu tivesse no ar. E teve quando eu estava em terra, ainda tivemos que descer do avião com medo que o avião pegasse fogo”, destacou Lula.
“Força Aérea no chão”
Ainda de acordo com a reportagem feita pelo Acesse Política, fontes militares foram ouvidas e disseram que essa falta de manutenção pode atrapalhar em ações de socorro, operações humanitárias no Brasil e no transporte de órgãos, além das próprias missões oficiais feitas pelo governo.
“O Brasil corre o risco de ver sua Força Aérea no chão. E não é figura de linguagem”, disse um dos oficiais.
Recomposição orçamentária
Múcio tentou equilibrar seu discurso em viés técnico junto com a sensibilidade política para destravar os recursos no Planalto. A pressão por uma recomposição orçamentária cresce ainda mais diante do fato da FAB operar com uma frota abaixo de um terço de sua capacidade total.
A falha na aeronave que levaria Lula para a Ilha de Marajó, reacendeu ainda mais o debate sobre sua gestão de recursos e a relação política do mesmo com os militares, que é marcada, desde o fim do governo de Jair Bolsonaro, por distanciamento e falta de confiança.

