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Economia

Projeções do Focus expõem desafios econômicos para futuro governo, avalia economista

Alta nas projeções de juros, avanço da dívida pública e recorde de inadimplência indicam cenário complexo com impacto direto sobre crédito

Projeções do Focus expõem desafios econômicos para futuro governo, avalia economista

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, o mercado elevou a projeção para a taxa Selic ao final de 2026 para 12,50% ao ano e indica um cenário em que os principais desafios econômicos do próximo governo estarão concentrados na condução da política monetária, no controle fiscal e na gestão dos impactos sociais do endividamento, a análise é do economista e presidente da PAGOS – Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos, LinconlRocha.

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Atualmente, a Selic está em 14,75%, após o início de um ciclo de cortes cautelosos, mantendo uma postura restritiva diante de pressões inflacionárias e riscos fiscais persistentes. A revisão de 0,50 ponto percentual na projeção ao longo de março reflete a percepção de dificuldades acumuladas e a limitação para uma queda mais acentuada dos juros, segundo o mercado.

O especialista aponta para uma realidade econômica complexa, marcada pela convergência de fatores internos e externos que exigirá coordenação política e econômica do próximo governo.

Os efeitos desse cenário já são sentidos no cotidiano. A inadimplência no crédito rotativo do cartão atingiu 64,7% em dezembro de 2025, com aumento de quase 10 pontos percentuais em 12 meses. Ao todo, 19 milhões de brasileiros possuem dívidas no cartão de crédito, enquanto 76% das famílias iniciaram 2026 endividadas, evidenciando o uso do crédito para cobrir despesas básicas.

O custo do crédito permanece elevado, com juros do rotativo superiores a 400% ao ano. Mesmo com mudanças regulatórias implementadas em 2024, milhões de brasileiros continuam recorrendo a esse recurso, ampliando a inadimplência e impactando diretamente a renda das famílias.

Pressões externas e inflação

No cenário externo, a escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã no início de 2026 aumentou a incerteza nos mercados de energia. Ataques à infraestrutura iraniana e ameaças ao Estreito de Ormuz elevaram o preço do barril de Brent para US$105, alta de 30% no período, com possibilidade de ultrapassar US$120 em caso de bloqueio prolongado.

Para o Brasil, a pressão sobre os preços é imediata, especialmente devido à dependência do transporte rodoviário, com aumento do diesel impactando alimentos e produtos. A projeção de inflação para 2026 foi revisada de 3,91% para 4,10%, permanecendo dentro da banda de tolerância, mas acima do centro da meta.

Cenário fiscal e custo da dívida

A dívida pública alcançou 78,7% do PIB em 2025, com previsão de atingir 83,8% em 2026. O déficit primário foi de R$61,7 bilhões, em um contexto de receitas de R$2,9 trilhões e despesas de R$3 trilhões. O custo com juros chega a cerca de R$1,165 trilhão por ano, equivalente a R$40 a cada R$100 arrecadados, contribuindo para a manutenção de juros elevados e para um déficit nominal de 8,3% do PIB.

Diante desse cenário, o próximo governo terá de avaliar alternativas que incluem intervenções sobre juros, manutenção de gastos elevados ou adoção de medidas estruturais. Entre as possibilidades estão ações voltadas ao controle fiscal, revisão de despesas obrigatórias, reformas e estímulo à concorrência no sistema financeiro, em meio a restrições orçamentárias, inflação pressionada e juros elevados.

Segundo Linconl Rocha, o conjunto desses fatores configura um cenário de elevada complexidade para a condução da política econômica a partir de 2027, com impactos diretos sobre crescimento, crédito e renda das famílias.

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