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Economia

Brasil pode enfrentar problemas no comércio com acordo UE-EUA

A redução de tarifas entre União Europeia e Estados Unidos deve encarecer produtos brasileiros e criar barreiras no setor agropecuário

Brasil pode enfrentar problemas no comércio com acordo UE-EUA

O acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos (UE-EUA) avançou na última quinta-feira (26) com a aprovação nos termos do Parlamento Europeu. Conforme detalhes do O Brasilianista, o tratado ainda precisa passar por negociações finais entre o Parlamento e os Estados-membros, com votação definitiva prevista após junho.

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O pacto prevê a eliminação de grande parte das tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e amplia o acesso de produtos agrícolas e de pesca dos EUA ao mercado europeu.

Entre outros pontos o tratado ainda estabelece um limite de 15% para tarifas sobre a maioria das exportações europeias, mantendo tarifa zero para lagostas provenientes dos EUA. O texto inclui mecanismos de proteção, como a “cláusula de suspensão”, que permite interromper preferências tarifárias em caso de descumprimento, e cláusulas de expiração das concessões até março de 2028.

O presidente Donald Trump já chegou a projetar compras de US$ 750 bilhões em energia americana pela UE e novos investimentos em defesa.

A intenção é criar previsibilidade para o comércio, mas também preservar espaço de reação frente a impactos econômicos negativos, o que pode afetar o Brasil de certa forma, como detalha ao O Brasilianista, Wilson Pedroso, consultor e executivo eleitoral.

Possíveis efeitos no Brasil

O especialista destaca que setores de manufaturados e semimanufaturados, como autopeças, químicos e máquinas, estão mais vulneráveis, especialmente se a União Europeia facilitar a entrada de tecnologia americana.

“Há um risco real de desvio de comércio. Quando dois gigantes reduzem tarifas entre si, produtos de terceiros, como os brasileiros, passam a ficar relativamente mais caros, o produto brasileiro, que já carrega o peso do Custo Brasil, perde o pouco espaço que ainda tem no mercado europeu”, detalha Pedroso.

Além disso, segundo o especialista, avanços em serviços e propriedade intelectual podem criar barreiras adicionais.

“Se o acordo avançar na definição de novos padrões globais de patentes e dados, empresas brasileiras de tecnologia podem enfrentar dificuldades por não conseguirem se adequar com a mesma velocidade às regras estabelecidas entre Washington e Bruxelas”, acrescenta.

Na política interna brasileira

O especialista, que ajudou a eleger João Doria e Bruno Covas e liderou campanhas de Rodrigo Garcia e Pablo Marçal, avalia que se o acordo for visto como um sinal de isolamento do Brasil a oposição pode usar essa interpretação para criticar a estratégia de aproximação com o Sul Global, argumentando que isso afasta o país das principais cadeias de valor.

Por outro lado, caso o governo reaja rapidamente, o tema pode ser aproveitado para debater produtividade, competitividade e a necessidade de reformas internas.

O consultor também aponta que o presidente Lula pode utilizar esse contexto para fortalecer a diplomacia verde, posicionando o Brasil como destino estratégico para investimentos ligados ao nearshoring sustentável, destacando vantagens como a matriz energética limpa e o capital natural.

Além disso, o país pode recorrer a espaços multilaterais, como o G20, para argumentar que acordos entre grandes potências não devem criar barreiras indiretas, especialmente com base em critérios ambientais.

Para o setor agropecuário, o especialista destaca que, se houver harmonização de padrões sanitários e ambientais entre EUA e União Europeia, o Brasil pode enfrentar dificuldades por incompatibilidade técnica, afetando diretamente produtos como soja, milho e carne.

A disputa por cotas e comércio

Outro ponto é a disputa por cotas e preferências comerciais, que pode colocar o país em desvantagem caso os EUA conquistem vantagens no mercado europeu.

“O capital global busca eficiência, previsibilidade e segurança jurídica. Um acordo entre EUA e União Europeia cria um ambiente integrado, estável e com regras mais claras. Se o Brasil não avançar em competitividade, há o risco de reforçar um papel mais restrito, como fornecedor de matéria-prima, enquanto o valor agregado se concentra onde o comércio é mais fluido”, destaca o especialista.

O tratado ainda precisa concluir negociações e votação definitiva no Parlamento Europeu e nos governos dos Estados-membros, permanecendo sujeito a ajustes finais antes da plena implementação.

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