O assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, disse nesta quinta-feira (02) que o Estreito de Ormuz está aberto para a Rússia. A declaração ocorreu ao canal de TV estatal russo Vesti, segundo o InfoMoney.
Como mostrado pelo O Brasilianista, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alegou em entrevista exclusiva ao canal norte-americano MS NOW que o Estreito está fechado apenas para os “petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e seus aliados”.
Apesar de reconhecer que algumas nações não têm passado pelo local por receio do conflito, Aragahchi disse que “isso não tem nada a ver conosco”. A passagem está bloqueada desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.
Rússia se beneficia com a guerra, mas Trump se preocupa
A guerra no Oriente Médio pode ajudar a Rússia a financiar outro conflito em andamento: a guerra com a Ucrânia. O Ministério da Defesa do Reino Unido avalia que os preços elevados do petróleo dão “certamente” um impulso de curto prazo para as contas públicas russas, o que pode ser usado no conflito com o país vizinho.
O ministério alega que enquanto o conflito no Irã seguir, a Rússia se beneficia do aumento global de petróleo. Isso acontece porque, conforme explicou O Brasilianista, a Rússia garantiu posição estratégica no mercado de petróleo em meio ao bloqueio de um dos principais canais de distribuição do combustível no Oriente Médio.
Segundo o InfoMoney, a Rússia passou a vender barris de petróleo com lucro de US$ 4, visto que antes o país oferecia barris com desconto de US$ 15. Para os países que mais dependem de petróleo do que exportam, os mais prejudicados são China, Índia, Coreia do Sul e Japão.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou recentemente que a responsabilidade pela segurança do Estreito diz respeito a todos os países que importam a commodity da região. Ainda, Trump mencionou que os EUA já venceu a guerra pois o país “derrotou e dizimou” o Irã militar e economicamente.
Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa, como mostrado pelo O Brasilianista, é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia do mundo todo
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

