As apurações que envolvem o Banco Master provocaram um aumento expressivo no número de ações que pedem a destituição de magistrados da Suprema Corte. Levantamentos indicam que, apenas em 2026, foram 11 novos requerimentos de cassação protocolados. O Senado Federal é responsável por julgar esses casos e tem cerca de 97 solicitações em tramitação. 50 desses processos são para o ministro Alexandre de Moraes desde o início do caso.
Das 11 petições apresentadas desde janeiro de 2026, seis são direcionadas para Moraes. Outras seis se concentram em Dias Toffoli e um dos pedidos pede a saída imediata de ambos. O ponto em comum dessas ações é que todas alegam ser por vínculos que os ministros têm com o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro.
De acordo com O Globo, no documentos consta que Moraes cometeu crime de responsabilidade, fundamentado em um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro. Além disso, mensagens de novembro de 2025 indicaram que, cinco horas antes de sua prisão no aeroporto de Guarulhos, Vorcaro teria perguntado a Moraes sobre possíveis “novidades” e se ele tinha conseguido “bloquear” alguma ação.
Em março, 33 deputados (maioria bolsonarista) acionou o Senado contra Moraes afirmando que as informações da Polícia Federal mostram uma rede de comunicações paralelas e que comprometeria a imparcialidade do magistrado.
No documento, os parlamentares destacam que a iniciativa não é uma invasão entre Poderes, mas um uso de mecanismo constitucional para responsabilizar autoridades que descumprem deveres funcionais.
Fator ético
Quanto a Toffoli, ele se afastou da relatoria dos processos do Banco Master em 12 de fevereiro, após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas apontando vínculos financeiros suspeitos. Entre eles, está o aporte de R$ 35 milhões do banco em um resort onde Toffoli teria sociedade.
Para o advogado Marco Vinicius Pereira de Carvalho, que assinou uma das representações, há uma percepção pública de que algumas autoridades atuam sem constrangimento em situações controversas, criando uma sensação de blindagem sob um sistema autoritário. A pesquisa Quaest de 12 de março mostra que, pela primeira vez desde 2021, a desconfiança da população no STF (49%) superou a confiança (43%).
Cenário eleitoral
O ministro Edson Fachin manifestou preocupação com a possibilidade de o caso se tornar tema central das eleições municipais e da renovação do Senado em outubro. Segundo ele, há risco de que a repercussão do Banco Master estimule candidaturas de direita que prometem cassar membros do STF.
Apesar da pressão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem evitado dar andamento aos processos, mas a oposição planeja alterar essa situação com a eleição do próximo comando da casa legislativa.
Em dezembro, o ministro Gilmar Mendes, alvo de 10 pedidos de impeachment, editou decisão para dificultar tais ações. Pela liminar, apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) teria legitimidade para pedir a cassação de ministros, suspendendo regra de 1950 que permitia a qualquer cidadão apresentar denúncia.
Mendes disse que o “impeachment abusivo” causa insegurança e pode fragilizar o Judiciário. Ele chegou a revisar parcialmente a decisão após críticas, mas manteve que agora é necessário 54 votos no Senado para iniciar um processo de cassação.

