Ursula von der Leyen se tornou uma uma figura central na política do continente ao tomar posse, em 2019, como a primeira mulher a presidir a Comissão Europeia. No comando do braço executivo da União Europeia, ela gerencia um orçamento anual de 300 bilhões de euros e media diálogos entre os chefes de Estado de 27 nações, abrangendo uma população de 450 milhões de cidadãos.
De acordo com a Forbes, sua gestão obteve destaque global ao enfrentar períodos críticos, como a crise sanitária da covid-19 e o conflito armado em território ucraniano.
Antes de ingressar na vida pública, von der Leyen construiu carreira na área médica. Nascida na Alemanha, iniciou sua trajetória profissional em uma clínica voltada à saúde feminina. A entrada na política ocorreu mais tarde, por volta dos 40 anos, quando deixou funções em nível local para assumir o cargo de ministra federal de Assuntos Familiares e Infância.
Segundo a Agência Brasil, sua gestão foi marcada pela implementação de iniciativas que modernizaram o sistema de assistência à infância no país. Posteriormente, entre 2013 e 2019, foi a primeira mulher a chefiar o Ministério da Defesa da Alemanha, ampliando sua experiência em áreas estratégicas do governo.
De acordo com Vivien Schmidt, professora da Boston University, sua atuação incluiu o desenvolvimento de políticas voltadas ao planejamento familiar e a criação de estruturas de cuidado infantil que até então não existiam no país.
Posição em guerras
As estratégias traçadas antes mesmo de sua eleição para a Comissão foram cruciais para viabilizar o auxílio econômico durante os períodos de isolamento social e instabilidade financeira em 2020. Suas metas também focaram no combate à disparidade social, na defesa de metas ecológicas e no fomento à digitalização.
Após entrar na lista, em oitavo lugar, entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo pela Forbes, von der Leyen subiu ao topo do ranking, motivada por sua conduta na crise da covid-19 e pela firmeza em relação à Ucrânia.
Ursula já afirmou que o conflito entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, atinge diretamente setores centrais como energia, economia e os próprios valores democráticos, caracterizando o cenário como um confronto entre diferentes modelos de governo e defendendo a manutenção das sanções financeiras impostas ao Kremlin.
A atuação de von der Leyen foi considerada decisiva para a resposta europeia à ofensiva militar. Pouco após o início dos ataques contra Kiev, ela já se mobilizava na articulação de medidas punitivas contra Moscou. Ela chegou a se tornar a principal autoridade da União Europeia a visitar a Ucrânia e se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky, como um apoio político e institucional ao país.
Além disso, a mesma já propôs a criação de um comitê especial com o objetivo de investigar possíveis crimes de guerra.
Para analistas, Ursula possui uma “sensibilidade política” e visão estratégica que justificam sua ascendência no cenário político global. Além disso, destacam que a presidente possui um sólido rigor considerado ético e facilidade para interpretar conjunturas complexas, atributos que balizam sua resistência às ações russas e a outros desafios internacionais.
Trabalhos atuais
A Comissão Europeia destaca que a presidente atualmente exerce a principal função executiva da União Europeia, sendo responsável por definir prioridades políticas e coordenar as ações do bloco. Segundo informações da própria Comissão Europeia, cabe a ela organizar a estrutura interna da instituição, distribuir funções entre os comissários e estabelecer a agenda estratégica que orienta as políticas europeias.
De acordo com a instituição, a presidente atua como porta-voz da União Europeia em reuniões do Conselho Europeu, além de participar de fóruns globais como G7 e G20 e de cúpulas com países parceiros. Também assume protagonismo em debates no Parlamento Europeu e no Conselho, defendendo propostas e alinhando interesses entre diferentes governos.
Na prática, isso significa que von der Leyen não apenas coordena políticas internas, mas também projeta a União Europeia no cenário global, negociando acordos, respondendo a crises e articulando posicionamentos comuns entre os países do bloco.
Destaque no Mercosul
Ursula von der Leyen, tem um papel central na articulação política do acordo entre Mercosul e União Europeia, defendendo o tratado como um sinal de abertura ao comércio internacional em um cenário global mais protecionista.
Nos bastidores, ela se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Itamaraty, encontro interpretado, conforme divulgado pelo O Brasilianista, como um gesto de apoio ao avanço do acordo. Durante a reunião, foram discutidos não apenas aspectos comerciais, mas também o estímulo a investimentos europeus no Brasil, com foco em transição energética, digitalização e agregação de valor às exportações.
Do lado europeu, von der Leyen afirmou que o tratado deve gerar benefícios mútuos e elogiou a condução política brasileira nas negociações, destacando compromissos com democracia, sustentabilidade e cooperação internacional.
Apesar do avanço, a dirigente também enfrenta resistências internas na União Europeia, especialmente de setores que temem a entrada de produtos do Mercosul.
Ainda assim, sob sua liderança, o bloco optou por seguir com o acordo, consolidando um processo negociado ao longo de décadas.

