A agropecuária brasileira foi o principal motor da economia em 2025, registrando crescimento de 11,7% sobre 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho do setor ajudou a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), que avançou 2,3% no ano, representando cerca de um terço do crescimento total da economia.
A indústria extrativa teve alta de 15,3%, mas a agropecuária respondeu por mais que o dobro do impacto no PIB. O setor também aumentou sua participação na economia, passando de 6,7% em 2024 para 7,1% em 2025. O resultado positivo da agropecuária está ligado principalmente à agricultura.
Segundo a Agência Brasil, a produção de soja cresceu 14,6% e a de milho 23,6% em 2025, enquanto a produção de laranja avançou 28,4%. A pecuária, especialmente bovinos e leite, também contribuiu para o crescimento do setor.
Safra 2025/26
Paralelamente, a colheita da soja da safra 2025/26 já alcançou 82% da área cultivada até a última quinta-feira, de acordo com levantamento divulgado pela consultoria AgRural, citado pela Reuters. O avanço foi de sete pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando 87% da área já havia sido colhida.
O Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e o Rio Grande do Sul concentram a maior parte da colheita neste momento. No índice, o excesso de umidade comprometeu a qualidade dos grãos e dificultou a colheita e a recepção nos armazéns.
No Paraná, lavouras de milho da segunda safra enfrentam pressão da estiagem e temperaturas acima da média, conforme relatado pela. O oeste do estado, onde muitas plantações já estão na fase reprodutiva, é a área mais afetada.
Outras regiões, como o norte do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, também começam a sentir os efeitos da menor precipitação. Já o centro-sul do país apresenta condições mais favoráveis, com chuvas regulares beneficiando o desenvolvimento do milho da safrinha.
Perspectivas para 2026
Em boletim divulgado após os números do IBGE, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta crescimento de 2,3% para 2026, ritmo semelhante ao registrado no ano anterior.
O ministério indica que a expansão do setor agropecuário deve desacelerar devido à menor produção de milho e arroz e à redução no abate de bovinos, apesar da expectativa de nova safra recorde de soja.
Oriente Médio e o PIB
O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Política Econômica (SPE), apresentou em março as projeções para 2026 sobre o impacto do conflito no Oriente Médio no preço do petróleo e na economia brasileira. O secretário Guilherme Mello detalhou três cenários, sendo eles:
- Choque temporário: alta de 10,8% (US$ 73,1/barril): PIB sobe 0,10%, inflação +0,14 ponto, balança comercial +US$ 2,5 bilhões, câmbio +1,1% e receita líquida do governo +R$ 21,4 bilhões.
- Choque persistente: alta de 24,2% (US$ 82/barril): PIB +0,23 ponto, inflação +0,33, balança +US$ 5,1 bilhões, câmbio +2,3% e receita líquida +R$ 48,3 bilhões.
- Choque disruptivo: alta de 51,5% (US$ 100/barril): PIB +0,36 ponto, inflação +0,58, balança +US$ 10,3 bilhões, câmbio +4,5% e receita líquida +R$ 96,6 bilhões.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) disse que essas previsões não incluem medidas do governo para reduzir o diesel, que deve cair R$ 0,64 por litro, o que pode aliviar a inflação. Ainda, foi destacado que em cenários mais severos, a incerteza e a aversão ao risco podem afetar o comércio global e o crescimento do Brasil, com possibilidade de estagflação.
Foi reforçado também que os efeitos de variações extremas do petróleo não são lineares e que o país não está imune a crises globais.

