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Economia

Dinamismo econômico do Brasil deve cair em 2026, aponta Banco Mundial

Relatório projeta avanço de 1,6% do PIB brasileiro e investimentos privados permanecem contidos pelo de juros elevados

Dinamismo econômico do Brasil deve cair em 2026, aponta Banco Mundial

Um relatório do Banco Mundial, publicado nesta quarta-feira (08), apontou que o Brasil deve sofrer perda de dinamismo em 2026 e que o PIB deve crescer 1,6%, abaixo dos 2,3% já estimados em 2025. Para 2027, a previsão indica leve recuperação, com expansão de 1,8%. De acordo com o documento, o país opera sob condições financeiras mais restritivas e espaço fiscal limitado.

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As taxas de juros reais elevadas seguem como principal fator de pressão, restringindo o crédito, o investimento das empresas e o consumo das famílias. O relatório ainda destacou que a política monetária tem sido conduzida com cautela, com ajustes nas taxas de juros para conter a inflação, especialmente no setor de serviços.

A confiança dos consumidores apresenta estabilização desde meados de 2025, mas ainda se mantém próxima da média histórica, sem impulso suficiente para acelerar o consumo privado. No ambiente empresarial, o investimento continua contido, com empresas aguardando maior previsibilidade em relação ao cenário externo e às políticas internas.

O relatório apontou que o Brasil, ao lado da Argentina, tem intensificado iniciativas de política industrial. O país tem destaque pela integração de sistemas voltados à qualificação e inserção no mercado de trabalho. Entre os exemplos citados está a plataforma Emprega Brasil.

A ferramenta reúne perfis de trabalhadores, intermediação digital de vagas, acesso ao seguro-desemprego e encaminhamento para capacitação profissional, buscando melhorar a articulação entre setores e regiões. Esse tipo de iniciativa integra a estratégia de elevar a produtividade e ampliar a geração de empregos de maior qualidade.

A América Latina economicamente

A economia da América Latina e do Caribe deve crescer 2,1% em 2026, abaixo dos 2,4% registrados em 2025, conforme o Panorama Econômico da América Latina e o Caribe. Para 2027, a estimativa é de avanço de 2,4%. Segundo o Banco Mundial, o ritmo mais contido reflete um ambiente macroeconômico adverso, marcado por custos elevados de endividamento, demanda externa enfraquecida e pressões inflacionárias associadas à incerteza geopolítica.

De acordo com o relatório, o consumo das famílias é a principal sustentação da atividade, ainda que de forma limitada. Já o investimento privado permanece retraído diante de juros globais elevados, desaceleração nas economias avançadas e na China, além de incertezas persistentes no comércio internacional.

O documento aponta que tensões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio, intensificam o cenário ao pressionar os preços de energia e ampliar riscos inflacionários.

Embora os níveis de dívida pública tenham se estabilizado, continuam elevados em termos históricos. O relatório indica que os altos custos com juros reduzem a capacidade de investimento em infraestrutura e em áreas sociais consideradas essenciais para o crescimento de longo prazo.

Recomendações para a América

O Banco Mundial diz que a retomada do crescimento depende da recomposição da confiança empresarial, da ampliação do investimento privado e do aumento da produtividade. A região, segundo o relatório, dispõe de vantagens estratégicas, como cerca de 50% das reservas globais de lítio, um terço do cobre e uma matriz energética relativamente limpa.

Para avançar, o documento elenca quatro direções principais:

  • Reduzir lacunas de qualificação profissional por meio da educação e da formação técnica;
  • Ampliar o acesso ao crédito e aprimorar os marcos de insolvência;
  • Intensificar a integração comercial;
  • Reforçar a capacidade institucional para formular e ajustar políticas públicas.

Políticas industriais também podem ser adotadas como instrumento de desenvolvimento, desde que sustentadas por bases sólidas, como qualificação da mão de obra, maior abertura econômica e instituições robustas.

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