O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que nunca tratou sobre as fraudes do Banco Master com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo disse que as reuniões que teve com integrantes da Corte serviram para discutir a Lei Magnistky.
Gabriel Galípolo disse aos senadores que após o governo dos EUA aplicar as sanções previstas na Lei Magnistky sobre os ministros do STF, ele passou a ter uma série de reuniões com os integrantes da Corte para discutir a situação.
O governo Donald Trump anunciou a aplicação da Lei Magnitsky contra integrantes do STF em 30 de julho de 2025. A medida atingiu inicialmente Moraes, mas, em setembro do mesmo ano, a lista de foi expandida e passou a incluir:
- Luís Roberto Barroso (hoje aposentado da Corte),
- Luiz Edson Fachin,
- Dias Toffoli,
- Cristiano Zanin,
- Flávio Dino,
- Cármen Lúcia e
- Gilmar Mendes.
STF e Magnitsky

As sanções bloquearam ativos financeiros alocados nos EUA, impediram transações comerciais com cidadãos ou empresas dos Estados Unidos e o cancelaram vistos de entrada no país. Familiares dos ministros também foram afetados pelas restrições.
Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, teve o visto revogado e foi alvo de medidas patrimoniais, assim como a empresa Lex Instituto de Estudos Jurídicos, ligada à família do magistrado.
A gestão Trump alegou que as sanções foram aplicadas devido ao suposto cerceamento da liberdade de expressão ao uso da estrutura judiciária pelos ministros do STF, para perseguir opositores políticos, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e plataformas de redes sociais.
Em dezembro de 2025, o governo dos Estados Unidos retirou o nome de Moraes e da esposa do ministro da lista de sanções da Lei Magnitsky.
O que falou Galípolo

Leia a abaixo a íntegra do que falou o presidente do BC sobre as reuniões que teve com ministros do STF:
O ministro Alexandre de Moraes, ou qualquer outro ministro do STF, sempre teve a relação mais cordial possível comigo. De todas as crises que tivemos ao longo de 2025, a mais complexa, do ponto de vista sistêmico, foi a relativa à Lei Magnistky.
Existiam informações que vinham a público e tínhamos um bombardeio que gerava ameça sobre a solvência de grandes instituições financeiras. Então eu passo a ter reuniões com uma série de ministros do STF, sobre temas relativos à Lei Magnistky. Essas reuniões tinham dois cidados a ser tomados:
1- A publicidade sobre a reunião não poderia encejar qualquer ilação que se revertesse em risco ao mercado financeiro. Até agora, quando vem um representante do governo dos EUA, repete-se a estratégia nas redes sociais.
2- Cada um dos ministros envolvidos na Magnistky, tinham discussões que envolviam sua privacidade, do ponto de sigilo bancário e financeiro, da qual eu tenho obrigação em zelar e não dar publicidade sobre isso.
Assista aqui à sessão da CPI do Crime Organizado que contou com a participação do presidente do BC.

