O BTG Pactual fechou um acordo para comprar o banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, em uma transação sem valor divulgado e que ainda depende de aprovações regulatórias e da possibilidade de propostas concorrentes.
Como informou a CNN Brasil, a operação segue regras atualizadas para instituições associadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), adotadas após a crise do Banco Master, e precisa de aval do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser concluída.
Crise financeira impulsiona negociação
A negociação ocorre após o agravamento da situação financeira do Digimais, que apresentou um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões, como informou O Brasilianista.
Esse resultado indica patrimônio líquido negativo, quando o total de obrigações supera o volume de ativos da instituição.
O tamanho do prejuízo colocou o banco em evidência no mercado financeiro, especialmente pelo risco de impacto em investidores e na estrutura do sistema bancário.
Além disso, o cenário levantou questionamentos sobre a capacidade de continuidade das operações e sobre a necessidade de medidas para estabilização da instituição.
Condições para conclusão do acordo
O acordo firmado pelo BTG Pactual ainda não representa a conclusão da compra e está condicionado a etapas formais previstas no processo.
Entre essas condições está a possibilidade de outros interessados apresentarem propostas concorrentes pelo Digimais, o que pode influenciar o desfecho da negociação.
Também é necessária a aprovação de órgãos reguladores, como o Banco Central e o Cade, responsáveis por avaliar os aspectos financeiros e concorrenciais da operação.
Modelo de negócios e atuação do banco
O Digimais é descrito como uma instituição focada em crédito, com atuação relevante no financiamento de automóveis, conforme apresentação institucional.
Esse modelo concentra a carteira em um segmento específico, o que pode influenciar o comportamento da instituição em períodos de maior instabilidade financeira.
No ano anterior, houve anúncio de aquisição do banco por um ex-sócio do Banco Master, mas a operação não foi concluída.
Dúvidas sobre ativos e estrutura financeira
A crise do Digimais também envolve questionamentos sobre a qualidade dos ativos registrados pela instituição.
Há indícios de que parte desses ativos pode ter sido superavaliada, o que afeta diretamente a percepção de risco e a confiança do mercado.
A dificuldade em comprovar o valor real dessas operações impacta indicadores importantes, como solvência e liquidez, utilizados para medir a saúde financeira de bancos.
Estratégia de captação elevou risco
Outro ponto observado no caso foi a forma como o banco buscou recursos no mercado. O Digimais ofereceu CDBs com rentabilidade de até 125% do CDI, percentual considerado elevado em relação a instituições mais consolidadas.
Esse tipo de estratégia costuma ser associado à necessidade de atrair capital em momentos de pressão por liquidez, ampliando o número de investidores expostos.
Monitoramento e possíveis desdobramentos
A situação passou a ser acompanhada por órgãos reguladores, incluindo o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF em aplicações elegíveis, o que amplia a relevância do caso em termos de impacto potencial.
Histórico do controlador do banco
O Digimais pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que também atua no setor de comunicação.
Macedo construiu sua trajetória com atuação religiosa e empresarial, incluindo presença no setor de mídia.
O banco fazia parte desse conjunto de negócios e, de acordo com informações institucionais, tem atuação voltada ao crédito, com forte ênfase no financiamento de automóveis.

