A Autoridade Portuária de Santos (APS) deve priorizar nas próximas semanas o trânsito de navios de combustível, com o principal objetivo de diminuir o impacto da crise energética causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
Segundo a Agência Brasil, a medida foi necessária para conter o risco de desabastecimento no estado de São Paulo — que atualmente possui uma das maiores frotas do país — , como alertado no parecer da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Já foi realizada a primeira operação nessas condições, concluída no último dia 30 de março, com a chegada do navio MH Ibuki, que recebeu prioridade e desembarcou 17.974 toneladas de Gasolina tipo A, o equivalente a 600 caminhões-tanque, no Terminal da Graneis Líquidos da Alamoa (Tegla), em Santos.
Como vai funcionar a prioridade de navios?
Ainda de acordo com a Agência Brasil, as prioridades de atracação ocorrem por norma específica.
Em primeiro lugar, vem os navios com casos de emergências, como tripulantes acidentados e avarias que exijam reparos imediatos. A ANP também pode definir a ordem ao escolher a alternativa mais conveniente ao interesse da sociedade.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a mesma lógica foi aplicada recentemente no trânsito de doações para o Rio Grande do Sul, durante o enfrentamento às enchentes de 2024.
Segundo a APS, todas as vagas destinadas a navios de combustível estão funcionando, e o fluxo do Terminal ocorre normalmente.
Produtos importados podem atrasar
Com a maior distribuição de combustíveis, quem pode sentir mais os efeitos são os consumidores de outros produtos importados.
Desde as compras de marcas como Shopee e Shein, até mesmo matérias-primas para a indústria, os produtos importados pelos brasileiros podem levar alguns dias a mais para chegarem ao destino final em meio ao novo sistema de ordenação dos navios.
O tempo de espera também dependerá da logística interna do Porto de Santos.
Por que dar prioridade à gasolina?
O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio imediato após semanas de conflito que interromperam o fluxo de energia no Estreito de Ormuz e afetaram a economia global. Porém, dias após a decisão, esse tal alívio está em cheque.
A principal fonte de instabilidade está na circulação de energia pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global.
Cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região, e o bloqueio parcial continua afetando diretamente a logística internacional.
Mesmo após o anúncio da trégua, a reabertura da rota não ocorreu de forma plena, o que mantém embarcações aguardando autorização para seguir viagem.
Operadores marítimos adotaram uma postura cautelosa, já que não há garantias de segurança, o que impede a normalização do fluxo de petróleo e derivados.
Apesar do Brasil ter boas reservas de petróleo, o país não consegue produzir sua própria gasolina. Isso exige que boa parte do combustível da frota brasileira — e não somente dos carros individuais, mas caminhões, trens e aviões — seja importado. Com os riscos da guerra, os preços aumentam.
Por isso, a reorganização do porto ajuda a aliviar a distribuição e, em certa medida, os preços da gasolina.

