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Geopolítica

Direita x Esquerda: como é a divisão atual da América do Sul?

A disposição dos governos próximos ao Brasil pode influenciar as eleições presidenciais de 2026

Direita x Esquerda: como é a divisão atual da América do Sul?

Atualmente, a América do Sul está equilibrada em relação a governos de direita e esquerda, com seis de cada lado. Porém, as recentes eleições mostraram que os eleitores da região optam cada vez mais pelos políticos de direita, como o que foi observado na Argentina e Bolívia, por exemplo.

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Em ano eleitoral no Brasil, a disputa presidencial deste ano está polarizada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Juntos, dependendo do instituto de pesquisa e do cenário avaliado, as duas candidaturas somam em torno de 70% a 80% dos votos. E essa votação está significativamente consolidada, visto que as demais opções somam em torno de 10% a 15% dos votos.

Apesar de não ter como prever o resultado das urnas em outubro, as recentes mudanças nos governos sul-americanos para a direita pode influenciar as campanhas e apoios de outros países.

Segundo a Agência Pública, a história política do continente sul-americano é marcada por uma recorrente interferência dos Estados Unidos e um movimento que oscila entre momentos com mais governos à esquerda e outros à direita, ou mesmo um equilíbrio dos espectros.

De acordo com especialistas entrevistados pela agência, a eleição de 2026 não vai ser apenas sobre a economia, vai ser sobre quem oferece a sensação de ordem. Pautas sociais diferentes em um contexto de governo dos EUA e conservador também tem a capacidade de influenciar nos apoios de campanha ao longo do ano eleitoral.

Ainda, a guerra do Irã, que tomou recente pausa, pode causar aumento nos preços, no custo de vida, no preço de combustíveis e alimentos. Esse cenário pode aumentar a sensação de insatisfação com os governos da Latam e os eleitores ficarão de olho em como cada presidente resolverá as questões.

Veja a orientação dos governos dos países da América do Sul:

País Orientação Presidente Argentina Direita Javier Milei Bolívia Direita Rodrigo Paz Chile Direita José Antonio Kast Paraguai Direita Santiago Peña Peru Direita José María Balcázar Zelada (José Jerí) Equador Direita Daniel Noboa Colômbia Esquerda Gustavo Petro Brasil Esquerda Luiz Inácio Lula da Silva Uruguai Esquerda Yamandú Orsi Venezuela Esquerda Delcy Rodríguez Guiana Esquerda Irfaan Ali Suriname Esquerda Chan Santokhi

Terceira via é possível?

Para o colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, é fato que tanto Lula quanto Flávio apresentam também índice de rejeição elevado. Mas isso não é suficiente para garantir espaço para que uma terceira via se estabilize.

Segundo Noronha, basta olhar para 2022. De acordo com o Datafolha, às vésperas do primeiro e do segundo turnos naquele ano, o percentual de eleitores que afirmavam que não votariam em Lula de jeito nenhum oscilava entre 47% e 48%. A Genial/Quaest trazia um índice de 48%. Mesmo assim, Lula recebeu 48,43% dos votos válidos no primeiro turno e 50,90% no segundo.

A rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda de acordo com o Datafolha, estava entre 50% e 51%. Pela Genial/Quaest, ficava em 44%. Bolsonaro teve 43,20% dos votos válidos no primeiro turno e 49,10% no segundo.

Para que uma terceira via se viabilize tanto Lula quanto Flávio teriam de perder votos de uma forma bastante acentuada. No momento, não parece ser o cenário mais provável.

Terceira via não deve ser descartada

Em avaliação sobre a possibilidade de um novo candidato ocupar o cargo de chefe do Executivo, Ariel Calmon, coordenador de Análise Política da BMJ Consultores, avaliou à esta reportagem do O Brasilianista que a viabilidade de um terceiro nome ganhar força em 2026 frente a Lula e a Flávio Bolsonaro não deve ser totalmente descartada. Na opinião do especialista, há um eleitorado que aparenta estar cansado da polarização e que pode aderir a uma alternativa. No entanto, esse movimento dependeria de condições específicas que, até o momento, não se materializaram.

“Para que uma candidatura de terceira via ganhe tração, a unificação precoce do campo de centro em torno de um único nome, a construção de uma narrativa própria que vá além da rejeição aos polos, e a formação de uma estrutura nacional robusta, com alianças e capilaridade regional, são fatores decisivos. Além disso, crises políticas ou econômicas podem reconfigurar o cenário e abrir espaço para alternativas. Sem esses elementos, a tendência é de manutenção da polarização”, disse.

Em 2026, ao menos oito nomes desistiram de disputar a corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. Possibilidades como Joaquim Barbosa, Sergio Moro, João Doria e Luciano Huck, por exemplo, recuaram antes mesmo do início formal das campanhas em diferentes momentos, segundo Calmon.

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