O senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), afirmou nesta segunda-feira (13) que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) “atrapalha” ao criar conflitos internos na direita. As informações são do Broadcast.
Para ele, as críticas de Eduardo ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) — acusando-o de dar pouco apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência — são desnecessárias, pois o foco deveria ser no combate ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Acho que atrapalha hoje em dia. O Eduardo, tenho um respeito, é um querido amigo, uma pessoa que tem a sua representatividade. Agora, nosso adversário aqui deste campo não é o Nikolas, não é o Eduardo, não são as pessoas que estão nessas discussões”, afirmou Ciro no evento HBR Summit Brasil 2026: Healthcare Management, em São Paulo.
“Nosso adversário é o atraso do nosso País, é esse governo que não representa o que queremos para o futuro e acho que nós devemos centrar forças nisso”, disse o senador.
O presidente do PP ainda comentou que a direita precisa focar o debate central dos discursos em temas como segurança, saúde, educação e competitividade, reduzindo o peso da polarização e de “discussão inútil”.
Polarização
A corrida presidencial de 2026 mal começou e já está polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). E é praticamente impossível que esses dois candidatos não cheguem ao segundo turno.
O colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, comenta que, juntos, dependendo do instituto de pesquisa e do cenário avaliado, as duas candidaturas somam em torno de 70% a 80% dos votos. Já em relação aos demais candidatos, as opções somam em torno de 10% a 15% dos votos.
“É fato, porém, que tanto Lula quanto Flávio apresentam também índice de rejeição elevado. Mas isso não é suficiente para garantir espaço para que uma terceira via se estabilize”, afirma Noronha.
Os dados mostram uma disputa concentrada entre dois polos, cenário que costuma ocorrer quando o eleitorado se divide entre grupos políticos já consolidados. Esse tipo de configuração pode reduzir o espaço para candidaturas alternativas, embora o quadro ainda seja considerado inicial.
Flávio Bolsonaro ganha visibilidade interna e externa
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está ganhando mais popularidade entre os eleitores de acordo com novas pesquisas para a eleição presidencial de 2026. Mas essa não é a única atenção que o pré-candidato ao Planalto recebe.
Em fevereiro, além de apresentar primeiro cenário de eleição em que superar Lula, Flávio Bolsonaro saiu na capa da revista Bloomberg. Em uma reportagem que aborda as eleições de outubro, o periódico destaca que o senador faz uma “ascensão meteórica” nas pesquisas presidenciais que surpreende os céticos.
Para o filho de Jair Bolsonaro, essa visibilidade pode ser um ponto essencial para desenvolver sua campanha por aqui. Em especial, o uso da influência de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos pode levar a imagem do clã para outros países, atraindo aliados.
Com eleições no Brasil, América do Sul pode ter mais governos de direita do que esquerda
Atualmente, a América do Sul está equilibrada em relação a governos de direita e esquerda, com seis de cada lado. Porém, as recentes eleições mostraram que os eleitores da região optam cada vez mais pelos políticos de direita, como o que foi observado na Argentina e Bolívia, por exemplo.
Apesar de não ter como prever o resultado das urnas em outubro, as recentes mudanças nos governos sul-americanos para a direita podem influenciar as campanhas e apoios de outros países.
Segundo a Agência Pública, a história política do continente sul-americano é marcada por uma recorrente interferência dos Estados Unidos e um movimento que oscila entre momentos com mais governos à esquerda e outros à direita, ou mesmo um equilíbrio dos espectros.
De acordo com especialistas entrevistados pela agência, a eleição de 2026 não vai ser apenas sobre a economia, vai ser sobre quem oferece a sensação de ordem. Pautas sociais diferentes em um contexto de governo dos EUA e conservador também tem a capacidade de influenciar nos apoios de campanha ao longo do ano eleitoral.
Ainda, a guerra do Irã, que tomou recente pausa, pode causar aumento nos preços, no custo de vida, no preço de combustíveis e alimentos. Esse cenário pode aumentar a sensação de insatisfação com os governos da Latam e os eleitores ficarão de olho em como cada presidente resolverá as questões.
Veja a orientação dos governos dos países da América do Sul:
País Orientação Presidente Argentina Direita Javier Milei Bolívia Direita Rodrigo Paz Chile Direita José Antonio Kast Paraguai Direita Santiago Peña Peru Direita José María Balcázar Zelada (José Jerí) Equador Direita Daniel Noboa Colômbia Esquerda Gustavo Petro Brasil Esquerda Luiz Inácio Lula da Silva Uruguai Esquerda Yamandú Orsi Venezuela Esquerda Delcy Rodríguez Guiana Esquerda Irfaan Ali Suriname Esquerda Chan SantokhiTerceira via não deve ser descartada
Em avaliação sobre a possibilidade de um novo candidato ocupar o cargo de chefe do Executivo, Ariel Calmon, coordenador de Análise Política da BMJ Consultores, avaliou à esta reportagem do O Brasilianista que a viabilidade de um terceiro nome ganhar força em 2026 frente a Lula e a Flávio Bolsonaro não deve ser totalmente descartada. Na opinião do especialista, há um eleitorado que aparenta estar cansado da polarização e que pode aderir a uma alternativa. No entanto, esse movimento dependeria de condições específicas que, até o momento, não se materializaram.
“Para que uma candidatura de terceira via ganhe tração, a unificação precoce do campo de centro em torno de um único nome, a construção de uma narrativa própria que vá além da rejeição aos polos, e a formação de uma estrutura nacional robusta, com alianças e capilaridade regional, são fatores decisivos. Além disso, crises políticas ou econômicas podem reconfigurar o cenário e abrir espaço para alternativas. Sem esses elementos, a tendência é de manutenção da polarização”, disse.
Em 2026, ao menos oito nomes desistiram de disputar a corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. Possibilidades como Joaquim Barbosa, Sergio Moro, João Doria e Luciano Huck, por exemplo, recuaram antes mesmo do início formal das campanhas em diferentes momentos, segundo Calmon.

