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Economia

Consumo do petróleo deve cair significativamente em 2026, diz AIE

A agência de energia vê menos demanda por barris da commodity após o conflito no Oriente Médio

Consumo do petróleo deve cair significativamente em 2026, diz AIE

O mundo deve consumir menos petróleo em 2026, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em meio ao conflito no Oriente Médio. As informações são do g1.

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Devido à menor oferta da commodity pelo bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, principal rota marítima para suprir cerca de 20% do consumo mundial, os países devem comprar um total de 104,26 milhões de barris por dia em média, contra 104,34 milhões em 2025.

A AIE, que pertence à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), prevê que a demanda mundial do petróleo caia 80.000 barris por dia, em média, em 2026. No mês passado, a agência previa um crescimento de 730.000 barris diários.

Para o segundo trimestre, a projeção é de que sejam consumidos 102,07 milhões de barris por dia, o que significa uma queda prevista de 1,5 milhão em um ano. Os resultados mostram o maior recuo desde os efeitos da pandemia de Covid-19. Para a agência, esse é o “choque de oferta de petróleo mais grave da história”.

Inicialmente, as reduções mais marcantes do consumo de petróleo foram observadas no Oriente Médio e na Ásia-Pacífico, especificamente para combustíveis de aviação e o gás de petróleo liquefeito (GLP).

“No entanto, a queda da demanda deve prosseguir enquanto persistir a escassez e o aumento dos preços”, alertou a agência.

A demanda de petróleo caiu em meio aos ataques contra as infraestruturas de energia do Golfo e às restrições registradas no abastecimento de petróleo no Estreito de Ormuz.

Por outro lado, a Rússia foi um dos países com melhores resultados, visto que as suas exportações de petróleo dobraram de fevereiro para março, passando de US$ 9,7 bilhões de dólares para US$ 19 bilhões. O crescimento também ajuda a financiar a guerra contra a Ucrânia, como já mostrado pelo O Brasilianista.

Irã e China estão despreocupados

O Irã e a China parecem estar mais preparados para um bloqueio do Estreito de Ormuz liderado pelos Estados Unidos do que o esperado. Dessa forma, não devem ser impactados pelos próximos meses com a baixa demanda da commodity.

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (13) que começaram a bloquear a entrada e a saída de navios dos portos iranianos no estreito. Como mostrou O Brasilianista, o acordo de cessar-fogo inicial — estabelecido na última semana — é frágil. A principal fonte de instabilidade está na circulação de energia pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global que, mesmo após o anúncio da trégua, a reabertura da rota não ocorreu de forma plena, o que mantém embarcações aguardando autorização para seguir viagem.

As respostas do Irã à medida têm sido desafiadoras e afrontosas, mas há um motivo para isso. Segundo a Veja, dados recentes de mercado indicam que Teerã acumulou um alto volume significativo de petróleo que já esta nos navios.

Isso pode garantir o abastecimento de seu principal comprador, Pequim, por semanas ou até meses, mesmo diante de interrupções do estreito. Ou seja, mesmo com o bloqueio dos EUA, o Irã conseguiria suprir sua própria demanda de combustíveis e ainda ganhar dinheiro com a venda para a China, que depende do petróleo iraniano para sustentar sua demanda energética.

Ainda de acordo com a Veja, baseado em dados da consultoria Vortexa, o país encheu cerca de 1,84 milho de barris de petróleo por dia em navios, enquanto em fevereiro o volume foi de 2,15 milhões de barris diários.

Essa estratégia antecipada para lidar com a crise garante mais tempo de pressão e negociação com os EUA para um acordo de paz. Estima-se que atualmente haja 160 milhões de barris de petróleo iraniano estocados em navios-tanque fora do Golfo Pérsico. Desses, boa parte já tem destino definido, mas o restante segue como reserva.

A China importa atualmente cerca de 1,8 milhão de barris diários de petróleo iraniano, um volume que poderia ser mantido até meados de 2026 mesmo se o Irã não realizar nenhum novo embarque.

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