O governo federal prepara um amplo pacote de medidas econômicas que combina estímulos ao crescimento, alívio financeiro para as famílias e iniciativas de justiça fiscal. Em fase final de elaboração, as propostas incluem um programa de renegociação de dívidas, incentivos à indústria, ampliação de benefícios sociais e mudanças estruturais na política tributária e trabalhista. O conjunto de ações ocorre em um contexto de incertezas internacionais e de preparação para o ciclo eleitoral, com impacto direto na economia brasileira.
O principal destaque é o programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, previsto para vigorar por três meses a partir de maio. De acordo com informações do Estadão, a iniciativa deve contemplar débitos no rotativo do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, com atraso mínimo entre 60 e 90 dias. O anúncio oficial está previsto para a última semana de abril, após a definição de parâmetros como deságio e taxas de juros.
Segundo a Folha de S.Paulo, o programa poderá oferecer juros de até 1,99% ao mês, significativamente abaixo da média de mercado, que alcançou 6,8% ao mês no crédito pessoal não consignado, conforme dados do Banco Central. A expectativa é repactuar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas, de um total estimado entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões em atraso. As condições foram discutidas em reunião entre representantes do setor financeiro e o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Paralelamente, o governo também prepara medidas para estimular a economia e impulsionar investimentos. Conforme destacou O Globo, o Executivo estuda ampliar em cerca de R$ 10 bilhões o programa Move Brasil, destinado ao financiamento da renovação da frota de caminhões, além de estender o incentivo à aquisição de ônibus. O objetivo é fortalecer a indústria automotiva e estimular a geração de empregos.
Ainda segundo o jornal, o vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou a ampliação da iniciativa, ressaltando que o programa já demonstrou impacto positivo na indústria de veículos pesados. O anúncio deve ocorrer após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de viagem à Europa.
Gás do Povo
No campo social, o governo também anunciou a ampliação do orçamento do programa Gás do Povo para mitigar os efeitos da instabilidade internacional. De acordo com O Globo, a medida prevê ajuste no valor de referência do botijão de gás, com impacto estimado em R$ 300 milhões. O benefício é destinado a famílias do Bolsa Família e a cidadãos com renda per capita de até meio salário mínimo.
Escala 6×1
No âmbito das relações institucionais, o Executivo enviou ao Congresso um projeto para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso sem redução salarial. Segundo a Folha de S.Paulo, a proposta, que prevê o fim da escala 6×1, foi encaminhada com urgência constitucional após diálogo entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Outro tema de destaque envolve a suspensão temporária da concessão de novos pedidos do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que gerou acúmulo de processos. Ainda de acordo com a Folha, cerca de 740 mil solicitações ficaram represadas, contribuindo para uma fila recorde de 3 milhões de requerimentos no INSS.
Na área fiscal, um estudo encomendado pelo Ministério da Fazenda ao International Tax Observatory (ITO) aponta que a criação de um imposto mínimo de 2% sobre super-ricos poderia arrecadar cerca de R$ 30,5 bilhões por ano. Conforme revelou O Globo, a medida incidiria sobre patrimônios superiores a US$ 100 milhões e atingiria apenas 0,001% da população brasileira.
No cenário internacional, a Folha de S.Paulo informou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento do Brasil, elevando-a de 1,6% para 1,9%. O resultado contrasta com a redução das expectativas globais, influenciadas por tensões geopolíticas.
Dados do jornal Valor Econômico indicam ainda que os investimentos dos estados e do Distrito Federal somaram R$ 119,75 bilhões em 2025, alta real de 7,9% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, houve redução do caixa disponível, sinalizando desafios fiscais para os próximos anos.

