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Economia

Por que o preço dos combustíveis demora para diminuir?

Os postos de gasolina são mais importantes na relação entre produtores e consumidores do que se imagina

Por que o preço dos combustíveis demora para diminuir?

A guerra no Oriente Médio causou forte efeito no preço dos combustíveis mundialmente. Os valores do barril de petróleo superaram os US$ 100 nos momentos mais delicados antes do cessar-fogo temporário.

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Para as nações que dependem do comércio da commodity por meio do Estreito de Ormuz, principal canal de transporte do petróleo no mundo, o valor dos combustíveis pesou — e muito para os consumidores.

No entanto, mesmo com a reabertura do Estreito pelo Irã na semana passada, os valores da gasolina e outros combustíveis ainda não abaixaram, especialmente nos Estados Unidos.

De acordo com esta matéria do The New York Times, os donos de postos de gasolina nos EUA possuem um elo fundamental entre a alta do barril de petróleo e os consumidores finais. E esses empresários não não gostam de aumentos repentinos de preços, assim como seus clientes.

Por que o preço da gasolina demora para cair?

Em geral, os preços de combustíveis seguem o padrão de oferta e demanda, mas o valor que os postos de gasolina informam precisa fazer parte da economia comportamental.

Empresas localizadas em pontos extremos da cadeia de suprimentos de commodities têm dificuldades com a volatilidade de preços, pois os consumidores detestam aumentos repentinos de preços. Porém, os motoristas em boa parte baseiam suas expectativas sobre o preço da gasolina no preço da semana anterior.

Ou seja, conforme explica o The New York Times, se o valor da semana passada estava maior, mesmo que a diferença seja de centavos, o consumidor prefere abastecer o veículo com um preço relativamente menor.

Dessa forma, os próprios donos de postos de combustível acabam se baseando na tabela de preços, mas também na mudança possível para não afastar os clientes sem perder tanto lucro.

Além disso, a quantidade de postos disponíveis de uma rede variada garante uma maior competitividade de preços.

Na avaliação de especialistas entrevistados pelo periódico americano, a maioria dos proprietários de postos de gasolina independentes conseguirá superar essa crise com um impacto moderado nos seus lucros.

A maior preocupação é que, se os preços permanecerem elevados por um período prolongado, os condutores poderão mudar os seus hábitos de condução de forma irreversível.

Importância do Estreito de Ormuz

O local é a principal rota de exportação do mundo. O Estreito de Ortiz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.

Por isso, seu bloqueio é de extrema preocupação para os países que comercializam com essas regiões, especialmente conhecidas pela produção de commodities, como petróleo e gás natural — os combustíveis fósseis de maior demanda.

Segundo o National Geographic, o Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.

São, no total, oito ilhas principais, sendo que sete delas são controladas pelo Irã. O país mantém forte presença militar na região desde a década de 1970 e, portanto, é um dos principais balizadores do preço do petróleo.

Por sua vez, a costa sul da região é controlada pelo Omã. Ainda assim, os Emirados Árabes Unidos tentam reivindicar soberania de algumas ilhas há anos.

Vale ressaltar que não existem rotas alternativas com a mesma capacidade de escoamento imediato, o que reforça a necessidade de paz na região.

Um fechamento — seja total ou parcial — impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.

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