A recente mudança tributária envolvendo combustíveis e cigarros levou o ex-capitão do BOPE do Rio de Janeiro, Rodrigo Pimentel, a fazer uma análise pública sobre possíveis efeitos na segurança. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele relaciona o aumento de impostos sobre o cigarro legal ao fortalecimento financeiro de organizações criminosas no país.
Segundo Pimentel, a alteração cria um cenário de forte diferença de preços entre produtos legais e ilegais, o que pode influenciar o consumo. “A equipe econômica do Governo Federal deu um presentão para o PCC, para o CV e para as milícias. Mais R$ 5 bilhões no ano de 2026. Eu vou te explicar a lógica disso”, afirmou.
Ele argumenta que a decisão fiscal ocorreu após a redução de tributos sobre o diesel, o que levou à compensação por meio da elevação da carga sobre o cigarro legal. A partir disso, o ex-capitão aponta um aumento expressivo na diferença de preços entre os produtos.
Diferença de preços e impacto no consumo
Na avaliação apresentada, o cigarro legal passa a custar, em média, R$ 10, enquanto o produto ilegal seria vendido entre R$ 5,50 e R$ 6. Para ele, esse intervalo, que chega a cerca de 80%, cria um incentivo direto para a migração de consumidores.
“A diferença de preço entre o cigarro legal e o ilegal nunca esteve tão alto”, disse. Ele também acrescenta que esse movimento já ocorreu em momentos anteriores, com deslocamento de consumidores para o mercado clandestino.
Pimentel menciona ainda o tamanho do público potencial afetado. “O Brasil tem 24 milhões de fumantes”, declarou, destacando que parte relevante desse grupo busca opções mais baratas, especialmente nas classes C, D e E.
Relação com o crime organizado
O ex-capitão associa diretamente esse cenário ao aumento de receita de facções. Ele afirma que o mercado ilegal de cigarros já representa uma fatia significativa em alguns estados e pode crescer ainda mais com a nova diferença de preços.
“O cigarro hoje, vindo do Paraguai, vendido pelo Comando Vermelho, pelo PCC, arrecada hoje em torno de R$ 11 bilhões”, disse. Em comparação, ele cita que drogas como cocaína e maconha somariam cerca de R$ 15 bilhões.
A partir dessa conta, ele sustenta que o cigarro ilegal pode se tornar uma das principais fontes de renda dessas organizações. “Com essa alteração dos impostos, o cigarro passa a dar mais dinheiro para a facção que a própria cocaína e a maconha”, afirmou.
Crítica à articulação entre áreas do governo
Outro ponto levantado por Pimentel diz respeito à coordenação entre diferentes áreas da administração federal. Ele aponta uma possível falta de alinhamento entre a equipe econômica e o Ministério da Justiça.
“Certamente, a equipe econômica está totalmente desconectada do Ministério da Justiça”, declarou. Ele cita que, recentemente, o ministro da Justiça indicou como prioridade o combate ao patrimônio das facções.
Para o ex-capitão, as medidas seguem em direções opostas. “Mas o Ministério da Fazenda parece não estar preocupado com isso. É, de fato, um grande presente para o crime organizado do Brasil em 2026”, disse.
Ao final da análise, Pimentel resume o que considera ser o impacto mais amplo da decisão. “É péssimo para a sociedade, mas é muito bom para o crime organizado”, afirmou.

