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Justiça

Entenda a polêmica envolvendo o Coaf, as delações e o STF

Decisões recentes do STF foram criticadas por supostamente impactarem delações no Caso Master e na Operação Sem Desconto

Entenda a polêmica envolvendo o Coaf, as delações e o STF

Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu decisões recentes que delimitam o uso de dados levantados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) usados em investigações.

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Em 27 de março, Moraes definiu, sozinho, que Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Coaf só poderão ser requisitados pela Polícia, pelo Ministério Público (MP) e comissões parlamentares de inquérito (CPIs) se houver investigação criminal formalmente instaurada ou processo administrativo.

A decisão foi tomada no Recurso Extraordinário (RE) 1537165, que tem com repercussão geral reconhecida, fazendo com que o entendimento, se chancelado pelo plenário do STF, valha para todos os casos similares que tramitam no Judiciário. Ainda não há data para liminar de Moraes ser chancelada.

O entendimento de Moraes foi bastante criticado, principalmente por policiais e integrantes do MP. O argumento dos críticos é que a decisão do ministro ajuda o crime organizado. Essas críticas fizeram com que o ministro proferisse nova decisão no último dia 16.

Nessa segunda decisão, Moraes definiu que seu entendimento só vale para casos novos, registrados após a liminar. Segundo o ministro, sua ordem serve para evitar busca indiscriminada de provas, conhecida como pesca probatória (fishing expedition, no termo original em inglês).

O entendimento consolidado atualmente no STF estabelece que o compartilhamento de dados do Coaf com órgãos de persecução penal pode ser feito sem autorização judicial prévia, desde que observadas regras específicas para respeitar o sigilo bancário dos investigados. A Corte definiu ainda que o MP só pode solicitar formalmente dados ao Coaf, para evitar que o órgão substitua a quebra de sigilo judicial.

Protagonismo e delação

O Coaf ganhou bastante visibilidade a partir da Operação Lava Jato, pois o trabalho do órgão ajudou a investigação que abalou a cúpula política brasileira e depois foi anulada por irregularidades cometidas pelos integrantes do MPF e pelo juiz responsável pelo caso, o hoje senador Sergio Moro.

Além da Lava Jato, o Coaf forneceu informações que embasaram diversas investigações que moraram assessores parlamentares e polšiticos. Isso fez com que, durante o governo Jair Bolsonaro, o Coaf, que historicamente integrava o Ministério da Fazenda, fosse transferido para o ‘guarda-chuva’ do Banco Central (BC).

A trasferência serviu para aumentar o controle sobre o Coaf, principalmente porque os dados levantados pelo conselho eram usados pelas autoridades para encurralar investigados, que acabavam optando por delações premiadas para dminuir suas penas.

É aí que entra a polêmica envolvendo outro ato de Moraes. No último dia 6, o ministro liberou para julgamento uma ação proposta pelo PT em 2021 para reformar as regras das delações premiadas — que foram usadas pela Lava Jato para condenar figuras importantes do partido, como o presidente Lula.

Moraes foi criticado por liberar o caso para julgamento no mesmo momento em que Daniel Vorcaro e outros envolvidos na Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes cometidas pelo Banco Master, negociam delações premiadas com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF).

Ainda não há data para o caso ser julgado em plenário pelo STF. A inclusão da ação na pauta da Corte depende de Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo.