A United Airlines não deve avançar com qualquer tentativa de fusão com a American Airlines, após a ausência de interesse por parte da concorrente. A informação foi confirmada pelo CEO da United, Scott Kirby, onde afirmou que a operação não evoluiu simplesmente porque “não houve acordo entre as companhias”.
De acordo com Kirby, a ideia chegou a ser considerada em conversas preliminares, inclusive com autoridades do governo dos Estados Unidos, mas não encontrou abertura por parte da American. Segundo a Bloomberg, sem o interesse da outra empresa, a negociação foi encerrada.
Proposta previa criação de gigante global
Caso fosse levada adiante, a fusão entre as empresas United Airlines e American Airlines resultaria na maior companhia aérea do mundo em volume de passageiros e receita financeira.
A consolidação criaria um grupo com presença dominante em rotas domésticas e internacionais, ampliando a escala operacional e potencialmente reduzindo custos.
De acordo com a Exame, a proposta também estava inserida em um contexto de maior competição global no setor aéreo, especialmente frente a companhias europeias, visto que ambas ocupam posições entre as quatro principais operadoras de voos nos Estados Unidos. Para a United, a combinação poderia fortalecer a posição das empresas no mercado internacional.
Resistência travou negociação
A American Airlines, no entanto, rejeitou a possibilidade de fusão. O CEO da empresa aérea, Robert Isom, já havia sinalizado que não via sentido estratégico na operação e que a empresa não estava interessada em discutir o tema.
Segundo a Bloomberg, a avaliação da American Airlines é que uma eventual união poderia trazer mais riscos do que benefícios, incluindo desafios operacionais e possíveis impactos negativos sobre clientes e concorrência. Isom chegou a classificar o negócio como “ruim para o setor, para os clientes e por fim, ruim para a American Airlines”.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, endossou o discurso de Isom, dizendo que prefere as empresas separadas, para garantir mais concorrência no mercado aéreo.
Por fim, Kirby reconheceu que não há caminho ou interesse para avançar com a proposta de fusão, encerrando, assim, qualquer perspectiva de novas negociações.
Obstáculos regulatórios
Mesmo que houvesse interesse de ambas as partes, a fusão ainda enfrentaria barreiras significativas do ponto de vista regulatório. Autoridades dos Estados Unidos analisam com rigor extremo as operações que possam ocasionar em uma concentração excessiva no mercado, ainda mais em setores estratégicos como o de transporte aéreo.
A união entre duas das maiores companhias do país levantaria preocupações sobre redução da concorrência, aumento de tarifas e diminuição de opções para consumidores.
Nos últimos anos, o governo americano adotou uma postura mais rígida em relação a grandes fusões, o que aumentaria a complexidade do processo.
Segundo a Exame, o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou que o governo norte-americano leva diversos fatores em conta ao analisar fusões no setor aéreo.
Duffy revelou que há espaço para fusões, mas que essas operações podem exigir a venda de ativos de ambas as empresas para evitar uma concentração excessiva de mercado.
Por fim, a United Airlines deverá adotar uma nova estratégia, buscando focar em crescimento orgânico e expansão de rotas, enquanto a American Airlines tentará manter a sua posição independente.

