A formação de uma nova aliança política em Israel pode alterar o rumo das eleições previstas para este ano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu passa a enfrentar um cenário mais desafiador após dois de seus principais adversários, Naftali Bennett e Yair Lapid, anunciarem a união de seus partidos e a tentativa de ampliar o bloco com outras lideranças.
Segundo o The Guardian, a iniciativa reúne as siglas Bennett 2026 e Yesh Atid, com a proposta de criar uma nova força política chamada Together. O movimento busca consolidar um grupo competitivo no parlamento israelense e aumentar as chances de derrotar Netanyahu, que lidera o Likud.
A articulação ocorre em um momento sensível para o atual primeiro-ministro. Recentemente, Netanyahu informou que passou por um procedimento para retirada de um tumor maligno na próstata. A divulgação, feita sem muitos detalhes, levantou questionamentos e trouxe o tema de sua saúde para o centro das discussões políticas.
Nova frente política tenta ampliar apoio
Durante uma coletiva conjunta, Lapid afirmou que a união tem como objetivo promover mudanças no país. “Estamos aqui juntos pelo bem de nossos filhos. O Estado de Israel precisa mudar de direção”, disse, em tradução livre. Bennett, que assumirá a liderança da nova legenda, também fez críticas ao atual governo. “Depois de 30 anos, é hora de nos despedirmos de Netanyahu e abrir um novo capítulo para Israel”, afirmou, também em tradução.
A estratégia inclui a tentativa de atrair o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar. Pesquisas indicam que, caso os três grupos atuem em conjunto, o bloco pode se tornar o maior dentro do Knesset.
Eisenkot ainda não confirmou sua entrada formal na aliança, mas indicou alinhamento com a proposta. “O objetivo de vencer as eleições decisivas que temos pela frente é compartilhado”, declarou, em tradução, acrescentando que pretende contribuir para mudanças no país.
Pesquisas mostram disputa equilibrada
Levantamentos recentes indicam um cenário competitivo. Pesquisa divulgada pelo jornal Maariv aponta empate entre o partido de Bennett e o Likud, com 24 cadeiras cada. No mesmo levantamento, o Yesh Atid aparece com sete assentos, enquanto o Yashar teria 12.
Outro estudo mostra Netanyahu à frente, com 25 cadeiras, contra 21 de Bennett. Os números indicam que a disputa permanece aberta e pode ser influenciada pelas alianças em formação.
Apesar do potencial eleitoral, a união entre Bennett e Lapid pode enfrentar resistência de parte do eleitorado conservador, especialmente entre apoiadores do Likud que rejeitam a participação de Lapid.
Histórico recente influencia cenário político
Bennett e Lapid já atuaram juntos anteriormente. Em 2021, lideraram uma coalizão que encerrou mais de uma década de governos consecutivos de Netanyahu. O governo, no entanto, teve duração curta, marcado por divergências internas e maioria apertada, terminando após cerca de 18 meses.
Netanyahu retornou ao poder após vencer as eleições de 2022, formando um governo considerado o mais à direita da história do país. Desde então, enfrenta críticas relacionadas à condução de temas de segurança e política externa.
Os ataques do Hamas em 2023 e os conflitos que se seguiram aumentaram a pressão sobre sua gestão. Pesquisas recentes indicam desgaste político, especialmente diante de críticas sobre os resultados das ações militares e a ausência de avanços estratégicos mais amplos.
Outro tema central no debate interno é o serviço militar obrigatório. Setores da sociedade criticam propostas de aliados de Netanyahu que buscam ampliar isenções para grupos religiosos, em um momento em que as forças armadas enfrentam alta demanda e perdas significativas.

