A Copa do Mundo da FIFA de 2026 deve injetar cerca de US$ 30,5 bilhões na economia dos Estados Unidos, com o potencial de gerar um aumento de US$ 17,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país-sede do campeonato de futebol mundial mais famoso.
É o que indica um levantamento da OpenEconomics (OE), divulgado pela FIFA e o Secretariado da Organização Mundial do Comércio (OMC). A expectativa é de que os países anfitriões recebam cerca de 6,5 milhões de pessoas entre 11 de junho e 11 de julho.
Seja por investimentos, turismo ou impulsionamento de setores como hoteleiro e de companhias aéreas, fica a dúvida em relação a como o dólar pode reagir e os possíveis efeitos desse movimento no mercado financeiro.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, acredita que a associação direta entre Copa do Mundo e valorização do dólar não se sustenta.
Em exclusiva ao O Brasilianista, ele explica que o câmbio é determinado por diferencial de juros, fluxo de capitais e percepção de risco, e não por eventos esportivos, ainda que estes possam gerar ruídos pontuais via fluxo de turismo e comportamento de curto prazo.
“Na margem, o evento pode até provocar aumento de demanda por moeda estrangeira por parte de brasileiros viajando ou consumindo produtos ligados ao exterior, mas esse efeito é consideravelmente pequeno frente ao volume do mercado de câmbio e tende a ser compensado por entrada de dólares via turismo e serviços, tornando o impacto líquido pouco relevante e transitório”, comenta o especialista.
Como fica o Brasil?
Segundo o analista de investimentos, os efeitos sobre o Brasil com um possível cenário de dólar global forte são diversos.
Ainda assim, ele destaca que somente a variação do câmbio não terá tantos efeitos práticos no país.
“Para o Brasil, o efeito relevante não está na Copa em si, mas no contexto em que ela ocorre: se coincidir com um ambiente de dólar global forte, juros elevados nos EUA e percepção fiscal doméstica mais frágil, o real pode se depreciar e amplificar pressões inflacionárias via bens comercializáveis, exigindo postura mais cautelosa do Banco Central e prolongando juros reais elevados”, explica.
Dólar está atualmente em queda
Na última segunda-feira (27), o dólar fechou em queda de 0,31%, cotado a R$ 4,982. Esse é um padrão que está se repetindo há diversos pregões devido a um momento de maior apetite global por risco, após sinais de possível redução das tensões no Oriente Médio.
Apesar das negociações não estarem finalizadas e o cessar-fogo do conflito entre EUA e Irã ainda ser frágil, falas recentes do presidente americano, Donald Trump, aliviaram os mercados.
Dessa forma, investidores passaram a buscar ativos considerados mais arriscados, como moedas e bolsas de países emergentes — um movimento que favorece o real.
No entanto, como mostra esta matéria do O Brasilianista, o movimento não é visto como permanente e está ligado a fatores pontuais, como o fechamento de posições compradas em dólar, ajuste de portfólio e sazonalidade de entrada de recursos.

