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Geopolítica

Disputa entre China x Ocidente na América Latina: como fica Brasil em meio a esse cenário?

A tentativa de manter influência em regiões emergentes se reflete na busca por mais investimentos e participação comercial

Disputa entre China x Ocidente na América Latina: como fica Brasil em meio a esse cenário?

De um lado, a China procura ocupar a aposição de principal influência econômica e geopolítica na América Latina e na África por meio de investimentos diretos e do financiamento de obras em grande escala, enquanto o Ocidente disputa este mesmo espaço através do estímulo a maiores investimentos no setor privado. Com isso, surgem questionamentos sobre qual a posição do Brasil em meio a esse ambiente?

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De acordo com o cientista político e vice-reitor da UniProcessus, Gustavo Castro, o cenário indica que a estratégia do país mais rico da América Latina é manter uma posição de equilíbrio pragmático, em que busca aproveitar o movimento para preservar o relacionamento com ambas as partes. Esse posicionamento balanceado do Brasil é avaliado como o mais racional, já que o país possui características que favorecem essa linha de ação, como economia diversificada, relevância regional e tradição diplomática de autonomia.

Disputa entre China e Ocidente

Conforme apontado anteriormente pelo O Brasilianista, há um movimento de mudanças no comércio global, impulsionado pela maior influência de novas potências econômicas em países emergentes. Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), apontam que, desde 2003, a venda de mercadorias entre os países do BRICS apresentou expansão de mais de 13 vezes.

O especialista Gustavo Castro explica que é possível observar o acirramento dessa disputa a partir de três acontecimentos importantes no mundo: a crise financeira de 2008, a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia. Na avaliação do cientista político, embora a China tente ampliar sua influência há algumas décadas em regiões em desenvolvimento, atualmente há uma disputa direta entre as potências.

“A China ampliou fortemente sua presença por meio de investimentos em infraestrutura e comércio, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia passaram a reagir com iniciativas para recuperar influência. Hoje, o cenário é de competição direta por mercados, recursos naturais e alinhamento político tanto na América Latina quanto na África”, disse Castro.

Mercado de minerais críticos

O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que a escalada das tensões econômicas entre a China e os Estados Unidos se intensificou nos últimos anos também diante da disputa pela supremacia na inteligência artificial. Nesse contexto, os minerais críticos passaram a ser fator estratégico para o avanço tecnológico e a continuidade do desenvolvimento econômico, o que ampliou a importância da América do Sul nesse cenário, por ser uma das regiões mais ricas em terras raras.

Com isso, a exploração de minerais críticos no Brasil também passou a ser influenciada por esse cenário geopolítico. O país possui reservas de lítio de rocha dura de alto teor no estado de Minas Gerais, onde atuam importantes empresas do setor, como a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), em operação desde a década de 1990. Além disso, o Brasil se destaca nessa disputa por ser um dos principais atores na extração e exportação de níquel.

“A exploração de minerais no Brasil se alinha à crescente presença da BYD em território nacional, com fábricas na Zona Franca de Manaus, Campinas e em Camaçari, na Bahia. A integração da mineração upstream com a montagem downstream reforça a estratégia das empresas chinesas de veículos elétricos no Brasil e na região. Além disso, os portos brasileiros estão sendo modernizados para facilitar as exportações”, afirma estudo da CEBC.

Conforme noticiado pelo O Brasilianista, a empresa norte-americana USA Rare Earth fechou a compra, avaliada em US$ 2,8 bilhões, da mineradora de terras raras Serra Verde. O movimento é visto como uma tentativa dos Estados Unidos de reduzir o domínio da China sobre a extração de terras raras, assim como avançar na busca por maior influência em mercados emergente.

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