O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (01), após mais de 25 anos de negociações, abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de € 20,7 trilhões.
Com a medida, mais de 5 mil produtos brasileiros passam a ter tarifa zero para entrar no mercado europeu, o que representa mais de 80% das exportações do Brasil para o bloco, além de cerca de 39% dos itens agropecuários.
Redução de tarifas começa de forma gradual
Segundo o Estadão, o acordo prevê cortes de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos comprados pela União Europeia.
Parte dessas reduções passa a valer imediatamente, enquanto outros itens terão queda progressiva ao longo de até dez anos na Europa e até 15 anos no Mercosul.
Entre os primeiros beneficiados estão produtos industriais, principalmente máquinas e equipamentos, que já passam a entrar com menos custo.
Já setores considerados mais sensíveis terão prazo maior de adaptação, com redução mais lenta das tarifas.
O acordo também estabelece exceções com prazos mais longos para segmentos como veículos elétricos e novas tecnologias, que terão proteção por períodos que podem chegar a até 30 anos.
Frutas ficam mais baratas para exportação
De acordo com o G1, frutas brasileiras estão entre os produtos que mais devem ganhar espaço na Europa com o acordo.
A uva, por exemplo, passa a ter tarifa zerada imediatamente, enquanto outras frutas terão redução gradual ao longo dos próximos anos.
Itens como abacate, limão, melão, melancia e maçã terão impostos reduzidos até chegar a zero em prazos que variam de quatro a dez anos. Essa diminuição pode facilitar a entrada desses produtos no mercado europeu.
A redução das tarifas tende a tornar as frutas brasileiras mais competitivas, especialmente porque muitas são exportadas em períodos em que não há produção suficiente na Europa.
Café ganha competitividade no mercado europeu
O café brasileiro já tem forte presença na Europa, mas o acordo traz mudanças importantes para produtos que ainda pagavam tarifas. O café solúvel e o café torrado e moído terão redução gradual de impostos até zerar completamente.
Atualmente, esses produtos enfrentam taxas de até 9%, que passarão a cair ano a ano até serem eliminadas. Isso pode aumentar a competitividade do Brasil frente a outros países exportadores.
Mesmo com o café em grão já isento, a mudança nos derivados pode ampliar as oportunidades de exportação e incentivar investimentos no setor.
Carnes continuam com limites de exportação
As carnes brasileiras terão redução de tarifas, mas com restrições. Produtos como carne bovina, suína e de frango passam a contar com cotas de exportação para o mercado europeu.
Isso significa que há um limite anual para exportação com tarifas reduzidas. Acima desse volume, continuam valendo impostos mais altos. A medida foi adotada para proteger produtores europeus.
Mesmo com essas limitações, o acordo pode melhorar as condições de venda dentro das cotas estabelecidas, reduzindo custos para exportadores brasileiros.
Sucos e bebidas terão queda gradual de impostos
O setor de sucos, especialmente o de laranja, também será beneficiado com a redução progressiva das tarifas. As taxas atuais, que podem chegar a mais de 30%, cairão ao longo de um período de sete a dez anos.
Essa redução tende a diminuir custos para exportadores e pode aumentar a competitividade do produto brasileiro no exterior. O impacto será gradual, acompanhando o cronograma previsto no acordo.
Com o tempo, a expectativa é de que os produtos brasileiros ganhem mais espaço no mercado europeu, principalmente em segmentos já consolidados.
Produtos importados podem ficar mais acessíveis
Como mostrou a BBC, o acordo também pode afetar o consumidor brasileiro, com possível redução de preços de produtos importados da Europa.
Itens como vinhos, azeites, queijos e outros alimentos podem ficar mais baratos ao longo do tempo.
Além disso, a redução de tarifas sobre máquinas e insumos pode diminuir custos de produção no Brasil, o que pode impactar preços de produtos nacionais de forma indireta.
O efeito não é imediato e depende de fatores como câmbio e dinâmica de mercado, mas a tendência é de mudanças graduais no acesso a produtos estrangeiros.
Investimentos entre regiões
O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com potencial para ampliar as exportações brasileiras e facilitar a entrada de produtos europeus. Também abre espaço para aumento de investimentos entre os blocos.
Além da redução de tarifas, o acordo inclui mecanismos que facilitam o comércio e fortalecem relações econômicas entre os países envolvidos. A implementação, no entanto, ocorre de forma provisória.
Parte do acordo ainda depende de aprovação pelos parlamentos dos países europeus, enquanto as regras comerciais já começam a ser aplicadas.

