Ir ao supermercado e voltar para casa com menos produto pelo mesmo preço tem se tornado uma situação cada vez mais comum para o consumidor. Esse movimento é conhecido como reduflação, prática em que a quantidade, o peso ou o volume de um item é reduzido, mas o valor cobrado permanece igual.
O fenômeno pode ser percebido em diversos produtos de consumo diário. Embalagens que antes traziam uma dúzia de ovos hoje podem contar com apenas dez unidades. Chocolates passam a ter menos gramas, molhos de tomate aparecem com peso reduzido e pacotes de sabão em pó chegam às prateleiras com quantidade menor.
Segundo o Procon, a prática não é nova, mas continua afetando diretamente o poder de compra do consumidor, que muitas vezes só percebe a mudança depois da compra.
Como a prática aparece nas prateleiras?
A reduflação acontece quando o consumidor continua pagando o mesmo valor, mas recebe menos produto. Em muitos casos, a embalagem mantém aparência semelhante, o que dificulta a percepção imediata da alteração.
De acordo com a BBC News Brasil, essa estratégia tem sido observada em diferentes países e costuma se intensificar em períodos de inflação e aumento dos custos de produção.
Além da redução no tamanho, no peso ou no volume, a prática também pode ocorrer por meio de mudanças na composição do produto. Entre os exemplos citados estão a substituição do leite condensado por composto lácteo e a comercialização de bebidas sabor café.
Em situações como essas, o impacto no orçamento pode ser gradual, já que o consumidor tende a perceber primeiro o preço e só depois nota a diminuição da quantidade levada para casa.
O que diz a regra sobre a redução das embalagens?
Quando há mudança na quantidade do produto, a informação deve aparecer de forma clara na embalagem.
A Portaria 392/2021 do Ministério da Justiça determina que o aviso sobre a redução precisa permanecer no rótulo por pelo menos seis meses, em local de fácil visualização e com leitura legível.
Quando o fabricante não apresenta essa informação, o consumidor pode ser induzido ao erro no momento da compra.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação aponta que a prática resultou em redução de 3,78% no poder de compra.
Como o consumidor pode se proteger?
Para evitar prejuízo, a orientação é observar atentamente os rótulos e conferir a quantidade informada na embalagem. Comparar o preço por quilo, litro, gramas ou unidade também ajuda a identificar se o produto realmente vale a pena.
Pesquisar valores em diferentes estabelecimentos e avaliar o rendimento do item ao longo da semana ou do mês são outras medidas recomendadas.
Caso encontre informações enganosas ou ausência de aviso sobre a redução, o consumidor pode procurar o Procon para registrar denúncia.
Além da atenção ao preço final, especialistas destacam que o consumidor deve observar o rendimento real de cada item, já que a redução nem sempre acontece de forma brusca. Em muitos casos, as mudanças são graduais, como embalagens que perdem mililitros ou gramas ao longo do tempo, o que dificulta a percepção imediata nas compras rotineiras. Por isso, a comparação entre marcas, pesos e volumes nas prateleiras se torna parte importante da decisão de compra.

