A região de Gruyère, na Suíça, se prepara para receber um dos maiores investimentos turísticos ligados ao chocolate já anunciados no país.
O Parc du Chocolat Cailler deverá ser inaugurado entre 2030 e 2031 e será construído dentro e ao redor da histórica fábrica da Maison Cailler, na comuna de Broc.
O projeto prevê a transformação da atual área de visitação, hoje com cerca de 2 mil metros quadrados, em um complexo de quase 30 mil metros quadrados na primeira fase de expansão.
O desenvolvimento da iniciativa já consumiu mais de 10 milhões de francos suíços, cerca de R$ 64 milhões, apenas em estudos técnicos, licenciamento e aquisição de terrenos.
Projeto quer criar experiência inspirada no universo do chocolate
De acordo com a Associação Gruyère-Chocolat, responsável pelo desenvolvimento do empreendimento, a proposta é transformar Broc na “capital mundial do chocolate”.
O projeto pretende aproveitar a força internacional da marca Cailler e o sucesso do atual museu da fabricante, que já recebe mais de 400 mil visitantes anualmente.
O parque será construído dentro e ao redor da fábrica da Cailler, permitindo que os visitantes acompanhem etapas reais da produção de chocolate.
O espaço também terá áreas dedicadas à história da marca, ao cacau, ao leite produzido na região de Gruyère e às tradições locais que fazem parte da identidade do produto suíço.
A experiência foi concebida para funcionar como uma imersão completa no universo do chocolate suíço. A proposta é reunir entretenimento, patrimônio industrial, turismo gastronômico e valorização cultural em um único destino.
Investimento supera a marca de R$ 1 bilhão
A primeira etapa do empreendimento deverá receber aproximadamente 100 milhões de francos suíços em investimentos, valor que supera R$ 640 milhões na conversão atual.
Quando todas as fases previstas forem concluídas, o investimento total poderá alcançar 200 milhões de francos suíços, equivalente a cerca de R$ 1,2 bilhão.
A concretização do projeto foi viabilizada após um acordo firmado no fim de 2022 entre a Nestlé Suíça e a empresa Jogne, criada especificamente para desenvolver o parque.
Pelo acordo, a Nestlé comprometeu-se a transferir terrenos e edificações localizadas próximas à fábrica para a implantação das futuras atrações.
Segundo o planejamento divulgado pela organização, a empresa Jogne será responsável não apenas pela construção do complexo, mas também pela futura operação do parque após sua inauguração. O grupo reúne investidores e gestores ligados à região de Friburgo e ao desenvolvimento turístico local.
Estrutura aposta em turismo de longa permanência
A visita completa deverá durar entre quatro e seis horas. O roteiro incluirá exposições interativas, oficinas, áreas de degustação, espaços educativos, restaurante e loja temática voltada aos produtos da marca.
O objetivo é ampliar significativamente o tempo de permanência dos turistas na região. Atualmente, muitos visitantes realizam apenas visitas rápidas ao museu da Cailler antes de seguir para outros destinos turísticos suíços.
A expectativa inicial é receber entre 700 mil e 800 mil visitantes por ano logo após a inauguração. Em fases posteriores de expansão, a meta é ultrapassar a marca de 1 milhão de turistas anuais, posicionando o empreendimento entre as principais atrações turísticas do país.
Localização foi escolhida para facilitar acesso
Segundo a Associação Gruyère-Chocolat, a sustentabilidade foi incorporada desde o início do planejamento. O projeto prevê priorizar o uso de transporte público, energia renovável e soluções voltadas à preservação ambiental da região.
A cidade de Broc passou a contar com ligação direta à rede ferroviária nacional suíça em agosto de 2023. A estação de trem foi integrada ao sistema que conecta importantes cidades do país, incluindo Berna.
Segundo os organizadores, a proximidade entre a estação ferroviária e o futuro parque permitirá que grande parte dos visitantes chegue ao local sem utilizar automóveis particulares. A medida faz parte da estratégia de mobilidade definida para o complexo.
Fábrica histórica será peça central da atração
Um dos diferenciais do projeto é a integração direta com a fábrica da Cailler, considerada por seus responsáveis como possivelmente a fábrica de chocolate mais antiga ainda em funcionamento no mundo.
Segundo a entidade, o leite utilizado nos chocolates produzidos pela marca vem da região de Gruyère há mais de 125 anos. A relação entre a indústria e os produtores locais será incorporada ao percurso de visitação planejado para os turistas.
O projeto ainda está em fase de licenciamento público. Após a consulta realizada em março deste ano, os responsáveis aguardam a obtenção das autorizações necessárias entre o fim de 2026 e o início de 2027. A construção deverá ocorrer em edifícios atualmente sem uso localizados no entorno da histórica fábrica da Maison Cailler.

