O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, após desavenças sobre a guerra com o Irã entre o presidente Donald Trump e Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, planeja retirar cerca de 5 mil soldados do país europeu.
A decisão do presidente norte-americano veio foi anunciada nesta sexta-feira (1º), logo após Merz ter dito que os EUA foram “humilhados” pelos negociadores iranianos, ocasionando em críticas por parte de Trump. As informações são da BBC News.
Decisão de Trump e OTAN
Segundo o g1, o movimento realizado pelo presidente dos EUA é feito diante de uma crise diplomática entre os países, e a medida foi tomada para punir Berlim. Após os comentários de Merz, Trump rebateu e disse que a Alemanha estava “indo mal”, além de dizer que o chanceler não sabia do que estava falando. “Não admira que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!”, disse o presidente através de uma publicação em seu perfil na plataforma Truth Social.
Neste sábado (2), a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), disse estar buscando entender os detalhes da decisão dos americanos. Trump, crítico da organização há muito tempo, tem feito ataques aos aliados depois recusarem a participação nas operações para a abertura do Estreito de Ormuz.
“Estamos trabalhando com os EUA para entender os detalhes da decisão sobre a presença de forças na Alemanha. Esse ajuste ressalta a necessidade de a Europa continuar investindo mais em defesa e assumir uma parcela maior da responsabilidade por nossa segurança compartilhada — algo em que já vemos progresso desde que os aliados concordaram em investir 5% do PIB na cúpula da OTAN em Haia no ano passado. Continuamos confiantes em nossa capacidade de garantir a dissuasão e a defesa à medida que esse movimento em direção a uma Europa mais forte dentro de uma OTAN mais forte avança”, escreveu Allison Hart, porta-voz da aliança, via X.
Resposta da Europa
Diante desse cenário, neste sábado (2), Boris Pistorius, ministro da Defesa da Alemanha, afirmou que os países europeus precisam ter mais responsabilidade com a sua própria segurança. Além disso, com as ações da Alemanha em investir na infraestrutura, acelerar as compras militares e expandir suas Forças Armadas, o ministro ressaltou que o país está “no caminho certo”, mesmo com a já esperada retirada das tropas dos EUA. “Era previsível que os EUA retirassem tropas da Europa, incluindo da Alemanha”, afirmou Pistorius.
A Alemanha ainda pretende aumentar quantidade de soldados ativos da sua chamada Bundeswehr (forças armadas). Dos 185 mil atualmente, o número iria para 260 mil. Diante da ameaça da Rússia, críticos do ministro defendem a ideia de que é necessária uma tropa ainda maior.
Boris Pistorius ainda relatou que, com a retirada parcial das tropas americanas do país europeu, a medida afetará cerca de 40 mil soldados que moram provisoriamente no país. De acordo com outras estimativas, esse número chega a 35 mil militares que estão ativos no local.

