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Geopolítica

“Sem os EUA, OTAN perde poder de dissuasão e mundo fica mais instável”, diz especialista

Possível saída americana afetaria orçamento da ONU e ampliaria espaço de China e Rússia no cenário global

“Sem os EUA, OTAN perde poder de dissuasão e mundo fica mais instável”, diz especialista

A possibilidade de saída dos Estados Unidos de organismos multilaterais como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), levanta questionamentos sobre impactos financeiros, militares e políticos no sistema internacional.

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Em entrevista exclusiva para O Brasilianista, o advogado especializado em Direito Internacional e macroeconomia, Daniel Toledo, detalha como esse cenário pode afetar o equilíbrio global e a atuação dessas instituições.

Perdas diretas para OTAN e ONU

De acordo com Daniel Toledo, o principal impacto na OTAN seria na capacidade militar da aliança, já que os Estados Unidos concentram grande parte do poder operacional. “Sem os EUA, a capacidade de dissuasão da OTAN cairia significativamente”, afirma.

Ele explica que, embora a contribuição financeira direta dos americanos ao orçamento da organização esteja entre 15% e 16%, o peso real está no investimento militar total, que supera o de todos os outros membros somados.

No caso da Organização das Nações Unidas (ONU), o impacto financeiro é imediato, já que os Estados Unidos respondem por cerca de 22% do orçamento regular e aproximadamente 26% das operações de paz.

“Isso cria uma dependência estrutural”, destaca Toledo ao abordar a dificuldade de substituição desses recursos no curto prazo.

Efeito político e mudança de poder

Além das perdas financeiras e militares, o especialista aponta que a saída americana afetaria diretamente o equilíbrio político dessas organizações.

“A credibilidade dessa cláusula depende muito da presença americana”, diz, ao se referir ao artigo 5º da OTAN, que trata da defesa coletiva entre os países membros.

Na ONU, a mudança é ainda mais profunda por envolver o Conselho de Segurança. Toledo ressalta que os Estados Unidos possuem poder de veto como membro permanente, o que influencia diretamente decisões globais.

“A saída muda completamente o equilíbrio de poder dentro da organização e abriria espaço para maior protagonismo de países como China e Rússia”, avalia.

Impacto no cenário geopolítico global

Segundo o especialista, a ausência dos Estados Unidos criaria um vácuo de poder relevante no sistema internacional, com reflexos diretos na segurança global. Ele explica que, no caso da OTAN, países europeus teriam que assumir maior protagonismo.

“Países como Alemanha, França e Reino Unido teriam que acelerar investimentos em defesa e ampliar sua capacidade militar”, afirma, destacando que esse processo exigiria tempo e recursos.

Toledo também aponta que esse cenário poderia gerar atritos. “Esse cenário poderia incentivar potências como Rússia a testar limites”, diz ao comentar possíveis tensões em regiões estratégicas.

Expansão de influência de outras potências

Outro efeito apontado na entrevista é o aumento da influência de países emergentes no cenário global. O especialista afirma que a China seria uma das principais beneficiadas com a mudança.

“A China também ganharia espaço para expandir sua influência, especialmente na Ásia, África e América Latina”, explica, ao detalhar os possíveis desdobramentos da saída americana.

Ele acrescenta que esse movimento tornaria o sistema internacional mais multipolar, mas também mais instável, com maior competição entre grandes potências.

Capacidade de resposta em crises internacionais

A atuação da ONU em crises também é impactada diretamente pela saída dos Estados Unidos, principalmente pela redução de recursos financeiros e influência política.

“Menos recursos significam menos operações de paz, menos ajuda humanitária e menor capacidade de mediação de conflitos”, afirma Toledo.

Outro ponto destacado pelo especialista é a previsibilidade do sistema internacional. “A presença americana ajuda a estabilizar expectativas no sistema internacional”, diz, ao explicar que a ausência desse fator aumenta a volatilidade global.

Possíveis caminhos de reorganização

Apesar dos impactos, o especialista avalia que as organizações poderiam se adaptar ao novo cenário, ainda que com dificuldades. No caso da OTAN, ele aponta uma possível mudança estrutural.

“A tendência seria uma ‘europeização’ da OTAN, com liderança mais forte de países como França, Reino Unido e Alemanha”, afirma.

Ele também menciona a possibilidade de integração maior com estruturas de defesa da União Europeia, criando novos modelos de cooperação regional.

Redistribuição de poder

Na ONU, a reorganização passa por mudanças financeiras e estruturais. Segundo Toledo, outros países podem assumir maior participação no financiamento da organização.

“A ONU provavelmente tentará redistribuir o peso financeiro entre outras potências, como China, União Europeia e Japão”, explica.

Ele ressalta que esse processo também teria impactos políticos. “Quem contribui mais tende a demandar mais influência”, afirma, ao indicar possíveis mudanças no equilíbrio interno da organização.

Sistema internacional mais fragmentado

Ao avaliar o cenário de forma geral, o especialista aponta que a saída dos Estados Unidos dessas instituições traz e trará mais mudanças estruturais no sistema global.

“O sistema internacional ficaria mais fragmentado, com menos coordenação global e maior disputa por influência entre grandes potências”, conclui.

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