O mercado de perfumaria importado pode ficar mais barato para os brasileiros a partir deste mês, facilitando o acesso a até mesmo marcas de luxo como Chanel, Dior, Versace, Dolce&Gabbana e mais.
Isso acontece porque o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor provisório a partir de maio, reduzindo gradualmente as tarifas de importação sobre produtos manufaturados europeus.
Atualmente, as taxas alcançam 18% para perfumes importados da Europa e, pelos próximos quatro anos, esse valor deve descer de forma significativa, podendo tornar esses produtos mais acessíveis ao consumidor. Vale lembrar que, assim como mostra esta matéria do O Brasilianista, qualquer redução tarifária influencia toda a cadeia de custos, desde o transporte até o armazenamento.
Ainda assim, de acordo com especialistas entrevistados pelo O Liberal, a redução das tarifas não será totalmente repassada ao consumidor final. Isso porque fatores como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), logística na região amazônica e a concentração do varejo afetam os preços.
Mesmo que um corte do imposto reduza o preço de vinhos, azeites, chocolates e perfumes, produtos de alto valor agregado continuam atrelados à capacidade de pagamento das classes mais elevadas.
Mercado de perfumes cresceu em 2025
O mercado de perfumes no Brasil já vem apresentando uma forte expansão, com um aumento de 17% nas unidades vendidas entre julho de 2024 e julho de 2025, de acordo com a Kantar.
O faturamento desse setor somou aproximadamente R$18 bilhões no período, uma alta de 15%.
Além disso, a perfumaria feminina está presente em 57% dos lares, a masculina em 34%, e a infantil em 13%. Por sua vez, as classes D e E representam 27% do consumo de perfumes no país, liderando o movimento.
As vendas online ajudaram a montar esse cenário, mas os investimentos em inovação, com fragrâncias sem gênero, embalagens criativas e experiências personalizadas também mostraram seus efeitos.
ICMS pode “equilibrar” a redução de preços
Em São Paulo, por exemplo, o mercado passará por alterações na forma de calcular o ICMS, o imposto sobre vendas, para produtos de perfumaria como extratos de perfumes e águas-de-colônia. Esse movimento deve arrefecer a baixa dos preços.
A partir de abril, passa a valer a nova base de cálculo do ICMS para vendas subsequentes de perfumes, em que o valor terá incluso o frete, seguro, outros impostos e encargos, acrescido do valor calculado pelo Índice de Valor Adicionado Setorial (IVA-ST). Em casos especiais como vendas entre empresas interdependentes ou quando não há esse índice definido, deve ser aplicado percentual de 177,19%.
Isso implica que perfumes extratos terão IVA-ST de 70,72%, e águas-de-colônia, 86,22%. Para produtos vindos de outros estados, esse índice será ajustado, o que garante uniformidade na cobrança do imposto em todo o território paulista.
Perfumes vs. Azeite
Uma boa comparação de diminuição de preços, mas que deve depender de outros fatores é o azeite. Conforme mostrado pelo O Brasilianista, o preço do azeite caiu 14,55% para o consumidor desde 2024 até outubro do ano passado.
Apesar do acordo poder diminuir ainda mais os valores de impostos, há outros diversos motivos que causaram a queda do azeite em 2025, como o resultado de safra de azeitonas da Europa e a valorização do dólar.

