Publicidade
Justiça

Caso Master: irmão de Ciro Nogueira vira alvo da Operação Compliance Zero

Ele é acusado de atuar na sustentação da fraude bilionária do grupo financeiro

Caso Master: irmão de Ciro Nogueira vira alvo da Operação Compliance Zero

O irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), Raimundo Nogueira, é o novo alvo da Operação Compliance Zero, que investiga a fraude bilionária do Banco Master.

Publicidade

A quinta fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (07), impede que os irmãos mantenham contato com qualquer investigado pela ação.

A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em endereços ligados a Raimundo, sob a acusação de atuar como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira”.

O despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, indicou que ele estava desde abril de 2024 participando de uma empresa que ajudava a acobertar a fraude do Master.

“Embora apenas em 18.12.2024 tenha passado a figurar como administrador formal da CNLF Empreendimentos Imobiliários, a autoridade policial verificou que seu nome já constava do contrato celebrado em 4.4.2024. Foi neste contrato que se estruturou a aquisição, pela CNLF, de 30% da Green Investimentos, evidenciando atuação anterior e relevante na estruturação do negócio”, escreveu o ministro.

A Green é uma gestora de investimentos investigada como integrante do braço operacional que movimentava recursos ilícitos e ocultava patrimônio no esquema do Master.

Além da restrição de comunicação entre investigados e com o próprio irmão, Raimundo está proibido de sair de seu município de residência e deve fazer uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento.

Em nota enviada à CNN, a defesa de Ciro repudiou a operação, dizendo que o senado “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”. A defesa ainda indica que o parlamentar está disposto a prestar esclarecimentos.

Mesada de Vorcaro a Ciro

Conforme mostrado pelo O Brasilianista, o relatório da PF ainda mostra que o presidente do PP, Ciro Nogueira, recebeu mesada de Daniel Vorcaro, ex-CEO do banco Master, pelo menos desde 2021.

O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023. O banqueiro ainda teria repassado diversos ativos ao senador por valores muito abaixo da realidade e custeado viagens ao exterior.

De acordo com o relatório da PF, Vorcaro e Ciro firmaram um arranjo funcional para a obtenção de benefícios mútuos.

Ao mesmo tempo em que o senador garantia influência política ao Master, o Vorcaro lhe bancava. Um dos episódios descritos envolve a apresentação de uma emenda à PEC 65/2023 por Ciro Nogueira.

Relembre o que aconteceu com o Banco Master

A tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma estatal, com o objetivo de cobrir uma possível falência do banco privado, lançou os holofotes no caso, que já vinha sendo investigado pelo Banco Central (BC).

Vorcaro comprou a participação no banco Master em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno — e alto risco.

Conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos.

O esquema funcionava da seguinte maneira: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.

O BC começou a suspeitar após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma estatal que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.

Dessa forma, quando a tentativa de compra pelo BRB foi recusada, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava o Master por fraudes em investimentos. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.

Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.

Acompanhe mais nas redes sociais do O Brasilianista