O presidente do PP, Ciro Nogueira, recebeu mesada de Daniel Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023. Além disso, o banqueiro repassou diversos ativos ao senador por valores muito abaixo da realidade e custeou viagens ao exterior.
Essas informações estão no relatório da Polícia Federal (PF) que embasou a decisão de André Mendonça, do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a PF a fazer busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do senador pelo Piauí e de investigados ligados a ele e a Vorcaro.
Segundo a PF, Vorcaro e Ciro firmaram um arranjo funcional para a obtenção de benefícios mútuos. Enquanto o senador garantia influência política ao Master, o banqueiro lhe bancava. Um dos episódios descritos envolve a apresentação de uma emenda à PEC 65/2023 por Ciro Nogueira.
O texto, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master e encaminhado por André Kruschewsky Lima a Daniel Vorcaro.
O documento foi entregue no endereço residencial do senador e reproduzido integralmente por ele no Senado. O FGC foi a base do esquema fraudulento do Master, segundo a PF, pois o banco anunciava retornos de investimento muito acima dos praticados no mercado e reforçava a segurança da aplicação citando que tudo estava sob a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
Além desta emenda, a investigação cita a circulação de minutas dos projetos de lei 5.174/2023 e 412/2022, de interesse do banqueiro, que teriam saído da residência do parlamentar para revisão antes de serem entregues a servidores do gabinete.
Os dos projetos de lei tratam de transição energética e incluem operações com títulos relacionados à sustentabilidade, área em que o Master atuava com muito interesse. Hugo Motta, atual presidente da Câmara dos Deputados, também apresentou sugestões a projetos de lei sobre o tema para obrigar seguradoras a investir em crédito de Carbono.
Em troca disso tudo, de acordo com a PF, Ciro usou gratuitamente um imóvel de Vorcaro e viajou ao exterior com acompanhante às custas de do banqueiro. Um dos passeios envolveu hospedagem no Park Hyatt New York, um dos mais caros da cidade dos EUA, despesas em restaurantes e o fornecimento de cartões para gastos pessoais.
Diante dos indícios de corrupção e lavagem de dinheiro, a decisão proibiu Ciro Nogueira de se aproximar ou conversar com os demais investigados.
As empresas do esquema
A mesada era paga por Vorcaro a Ciro via a empresa BRGD S.A.. A PF também identificou a aquisição de 30% de participação societária na empresa Green Investimentos S.A. pela CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda..
CNLF é administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. A transação foi feita por R$ 1 milhão, enquanto o valor de mercado das ações era estimado em R$ 13 milhões.
Felipe Cançado Vorcaro é apontado como o operador financeiro responsável pela execução material dessas movimentações. Ele teria operacionalizado o contrato de compra e venda de ações e os repasses mensais, utilizando instrumentos particulares para evitar a fiscalização.
O esquema também envolveria a Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e a empresa BRGD S.A. como instrumentos para o fluxo financeiro.
Acertando ponteiros
O relatório da PF apresentado na decisão de Mendonça mostra trocas de mensagem trocadas por Vorcaro com seus subordinados sobre os pagamentos e mimos a Ciro Nogueira e outras pessoas. Confira abaixo:



O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

