A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou em nota que repudia qualquer associação ilícita sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. A declaração acontece após Ciro se tornar o mais novo investigado da Operação Compliance Zero, que apura fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Veja a nota na íntegra:
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, declarou a defesa, em nota obtida pelo O Brasilianista.
De acordo com despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o parlamentar estava relacionado com o ex-dono do grupo financeiro, Daniel Vorcaro, e era bancado pelo banqueiro em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
O Brasilianista mostrou ainda que o relatório da Polícia Federal (PF) indica que Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023.
Vale lembrar que o Master gerou um rombo de mais de R$ 50 bilhões ao SFN por meio de corrupção e lavagem de dinheiro utilizando ativos financeiros sem lastro real.
Irmão de Ciro também é investigado
O irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), Raimundo Nogueira, também se tornou um dos investigados pela Operação Compliance Zero.
A quinta fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (07), cumpriu um mandado de busca e apreensão em endereços ligados a Raimundo nesta manhã. Ele é acusado de atuar como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira”.
Pela decisão de André Mendonça, os irmãos estão proibidos de manter contato com qualquer investigado pela ação — inclusive um com o outro.
De acordo com o despacho do ministro do STF, Raimundo Nogueira estaria participando de uma empresa que ajudava a acobertar a fraude do Master e auxiliar na lavagem de dinheiro desde abril de 2024.
“Embora apenas em 18.12.2024 tenha passado a figurar como administrador formal da CNLF Empreendimentos Imobiliários, a autoridade policial verificou que seu nome já constava do contrato celebrado em 4.4.2024. Foi neste contrato que se estruturou a aquisição, pela CNLF, de 30% da Green Investimentos, evidenciando atuação anterior e relevante na estruturação do negócio”, escreveu o ministro na decisão.
O irmão do senador também recebeu orientações de não poder sair de seu município de residência e está obrigado a fazer uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento.

