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Justiça

Vorcaro pagou viagens do senador Ciro Nogueira ao exterior

O banqueiro cedia seu cartão de crédito para o parlamentar utilizar para despesas pessoais

Vorcaro pagou viagens do senador Ciro Nogueira ao exterior

Ciro Nogueira, senador e presidente do PP, é o mais novo investigado da Operação Compliance, que apura as fraudes do Banco Master. De acordo com despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o parlamentar era bancado pelo ex-dono do grupo financeiro, Daniel Vorcaro.

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Conforme mostrado pelo O Brasilianista, o relatório da Polícia Federal (PF) que resultou no despacho Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023.

De acordo com a a coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, André Mendonça incluiu um diálogo entre o ex-banqueiro e um de seus assessores como um dos indicativos de que ele pagava viagens internacionais para Ciro Nogueira. Em troca, o senador defenderia os interesses privados do dono do Master em Brasília.

No diálogo, Léo Serrano, que trabalhava com Vorcaro, questiona: “Só uma pergunta rápida… é pros meninos continuarem pagando conta dos restaurante do Ciro/Flávia até sábado?”.

Em resposta, o banqueiro afirma que sim e pede para que leve o cartão para “Sr.Barth”, uma referência à ilha São Bartolomeu, no Caribe, destino famoso entre os milionários. A conversa elucida, na visão do minsitro do STF, que Vorcaro custeava despesas pessoais de Ciro.

As vantagens ainda teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York — com preços a partir de US$ 1630 por uma diária (R$ 8.030), confirmado pelo O Brasilianista — despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante.

“Há ainda, referência à disponibilização de cartão destinado à cobertura de despesas pessoais. Considerados em conjunto e em juízo de cognição sumária, próprio desta fase, tais elementos reforçam a necessidade de aprofundamento probatório e de cautelas a serem adotadas para que provas não sejam ocultadas e ajustes não sejam realizados entre os investigados”, afirma a decisão.

A defesa de Ciro repudiou a operação desta quinta-feira (07), dizendo que o senador “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”. A defesa ainda indica que o parlamentar está disposto a prestar esclarecimentos.

Ciro impedido de falar com irmão

irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), Raimundo Nogueira, também se tornou um dos investigados pela Operação Compliance Zero.

A quinta fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (07), impede que os irmãos mantenham contato com qualquer investigado pela ação — inclusive um com o outro. A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em endereços ligados a Raimundo nesta manhã.

Raimundo é acusado de atuar como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira”.

Mendonça indicou no despacho que ele estaria participando de uma empresa que ajudava a acobertar a fraude do Master desde abril de 2024.

“Embora apenas em 18.12.2024 tenha passado a figurar como administrador formal da CNLF Empreendimentos Imobiliários, a autoridade policial verificou que seu nome já constava do contrato celebrado em 4.4.2024. Foi neste contrato que se estruturou a aquisição, pela CNLF, de 30% da Green Investimentos, evidenciando atuação anterior e relevante na estruturação do negócio”, escreveu o ministro.

Raimundo também recebeu orientações de não poder sair de seu município de residência e ainda está obrigado a fazer uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento.

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