A investigação sobre o Banco Master ganhou um novo elemento após mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro mencionarem o BTG Pactual em conversas sobre movimentações financeiras e pagamentos ligados ao grupo político de Ciro Nogueira. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou buscas contra investigados no caso, incluindo o senador e seu irmão Raimundo Nogueira, abriu espaço para a análise de novos diálogos obtidos pela Polícia Federal.
Conforme já explicado pelo O Brasilianista, uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, e Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, indica que parte do fluxo financeiro do banco estaria sendo direcionada ao BTG. O conteúdo passou a integrar o material analisado no inquérito que apura supostas irregularidades envolvendo operadores do mercado financeiro e agentes políticos.
Nas conversas, Felipe relata a Daniel que havia sido informado sobre o aumento da “mesada” destinada a Ciro Nogueira, mas afirma existir dificuldade para operacionalizar os pagamentos. Em seguida, diz que o problema ocorria porque o “fluxo está indo praticamente todo para o BTG”. Daniel responde que a situação deveria ser resolvida e afirma que cobririam os valores posteriormente, já que ele estava na Venezuela naquele momento.
Relação entre BTG e Master aparece em diferentes frentes
As mensagens analisadas pelas autoridades mostram uma relação complexa entre o Banco Master e o BTG Pactual. Apesar de negociações comerciais entre as instituições, os bastidores eram marcados por disputas e desentendimentos entre Daniel Vorcaro e André Esteves.
Em outro trecho das conversas apreendidas, Vorcaro comenta com sua então companheira, Martha Graeff, que André Esteves seria responsável pelas dificuldades enfrentadas pelo Master para manter liquidez no mercado. O ex-banqueiro utilizava a expressão “Rei dos Reis” ao se referir ao dono do BTG, em uma referência associada à influência política e econômica do banqueiro em Brasília.
Nos bastidores políticos, integrantes do mercado financeiro e interlocutores do Congresso afirmam que o desgaste entre Vorcaro e Esteves teria aumentado após aproximações do controlador do Master com aliados tradicionalmente ligados ao BTG. As investigações, porém, não apontam até o momento qualquer acusação formal contra André Esteves ou contra o BTG no âmbito do Caso Master.
Também não há informações oficiais sobre os valores que teriam sido direcionados ao banco citado nas mensagens. O conteúdo segue sob análise da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.
Delação de Vorcaro pode atingir políticos e setor financeiro
A possível delação premiada de Daniel Vorcaro passou a preocupar diferentes grupos políticos e financeiros em Brasília e na Faria Lima. O ex-banqueiro mantinha relações com parlamentares, operadores do mercado e integrantes do Executivo, o que amplia o alcance potencial das investigações.
Entre os nomes citados nos bastidores está Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A proximidade entre ele e Vorcaro teria permitido operações destinadas a aliviar a situação financeira do Banco Master, que oferecia investimentos vinculados ao Fundo Garantidor de Crédito. Paulo Henrique também negocia acordo de colaboração com autoridades.
O caso ainda envolve figuras políticas do Distrito Federal. Vorcaro confirmou encontros com Ibaneis Rocha, ex-governador da capital federal. O político admite ter se reunido com o banqueiro, mas afirma não possuir relação com irregularidades investigadas. A governadora Celina Leão também teve o nome mencionado em relatos ligados ao caso e nega qualquer participação em crimes.
Michel Temer aparece em reportagens relacionadas ao episódio por ter apresentado Vorcaro a investidores durante a crise enfrentada pelo Master. O ex-presidente não é investigado no processo.
Outro nome ligado ao caso é o do presidente da Câmara, Hugo Motta. A investigação analisa operações financeiras envolvendo Bianca Medeiros, cunhada do parlamentar, além de uma emenda relacionada ao mercado de crédito de carbono que poderia movimentar bilhões de reais em investimentos de seguradoras.
Ministros do STF surgem em citações do caso
As apurações também chegaram ao entorno de integrantes do Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes teve o nome citado por causa de contratos de prestação de serviços jurídicos firmados entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Moraes nega qualquer relação pessoal com Daniel Vorcaro.
Dias Toffoli também aparece mencionado em discussões relacionadas ao Resort Tayayá, empreendimento ligado à família do ministro no Paraná. O local recebeu encontros com empresários e integrantes da elite política e econômica do país, entre eles André Esteves.
O BTG, ao lado de outras instituições financeiras, responde ainda a processos relacionados à negociação de ativos do Banco Master. O rombo investigado no Fundo Garantidor de Crédito é estimado em cerca de R$ 50 bilhões.

